
(Para o Clube de Leitura do Sirio)
O quarto conto (conto?) do livro “Quatro estações” é mais uma reminiscência contada em detalhes tais, suficientes para compor um quadro tão realista dos locais, personagens, datas e eventos, que é difícil não acreditar que tudo não seja real.
Um homem comum, como sempre, se vê envolvido sem querer (querendo) num men´s club nova-iorquino, aparentemente comum, mas com algo misterioso: cada membro deveria contar uma estória, dentro de certo ritual. E um mote se repete: “o importante é a história e não o narrador”. Será?
O suspense se manifesta em pensamentos do protagonista, como quando chega à porta do clube “cujas janelas lembravam olhos” e: “Em algum lugar, por trás dessas janelas, pode haver um homem ou uma mulher planejando um assassinato, pensei. Senti um arrepio na espinha. Planejando… ou cometendo um assassinato.” Ou quando ele lê livros cujo autor não existe, publicados por uma Editora que nunca existiu, joga numa mesa de bilhar fabricada por uma fábrica que jamais foi fundada, e ouve uma musica tocada numa vitrola cuja marca jamais foi fabricada (até hoje!). Mas tudo não passa de moldura para a estória que será contada por um médico ancião: “O método respiratório” não é de tirar o fôlego, mas tem suspense e até uma boa dose de humanidade. Embora no final, há algo inumano.
Li que Alfred Hitchcock teria explicado a François Truffaut, seu discípulo, “que o suspense não é mistério nem pregar sustos. O suspense consiste em fornecer certas chaves ao espectador e suprimir outras, de forma a deixá-lo num permanente estado de angústia ou desconforto pelo que poderá ocorrer porque tudo isso está relacionado a crimes.” (*). Essa frase, para mim, caracteriza bem o suspense de Stephen King.
Podem rir: mas procurei o endereço 249B da Rua 35 Leste em New York. E poderão rir mais ainda ao se surpreenderem colocando o endereço “249b, 35th street east, New York, NY” no seu Google Maps. Curiosos!
Verão um prédio de três andares, com a fachada do térreo toda em tijolinho, ao lado do restaurante Ginza Sushi. E acima da fachada, um Brasão de Armas medieval, com um dístico “Missioni Permanenti GMML”. Mistério.
Continuei a pesquisar e descobri: é a apenas sede da Missão Permanente para as Nações Unidades, de Malta. Sim, Malta, aquela ilha que é sede da Ordem Soberana e Militar Hospitalaria de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, criada em 1113 (quando os anteriores Templários foram todos perseguidos e executados), os “Cavaleiros Hospitalários”, sempre envoltos em… mistérios.
Coincidência? Premonição?
(*) Luiz Carlos Merten – artigo “Exposição Hitchcock – Bastidores do suspense”