
(Para o Clube de Leitura do Sírio)
O “suspense” de Stephen King não está em corredores em penumbra, no ranger de portas, ou a expectativa de acontecer algo inevitável.
Não está na escuridão dos ambientes, mas na escuridão da alma dos personagens.
Sua técnica narrativa nos leva a entrar no ambiente e na época em que ocorrem os fatos, tornando-os familiares a nós, mesmo que não tenhamos vivido aquela época e local.
Afinal, câmeras Kodak e Minolta, Revista Seleções, TV Motorola, Westclock, Boris Karloff, e outros famosos atores ou programas de TV de sucesso, quem não os conheceu? E quem nunca observou o zumbido de uma lâmpada fosforescente?
Detalhes que nos levam a penetrar nos ambientes e na época, não como uma ficção, mas como uma reportagem.
E de qual personagem sabemos peso, altura, cor de cabelos e olhos, formação dentária e detalhes sobre a tez?
E que autor, por humor ou ironia – ou para reforçar a recriação de uma realidade – faz personagem de outro conto participar deste exercendo a mesma atividade? (Hitchcock usa fazer ponta como um figurante).
A captura de pequeno detalhe e a percepção dos acontecimentos mundiais são usadas para construir uma realidade incontestável.
Mas no processo da penetração gradativa na mente (ou na alma) dos personagens principais é onde, pessoalmente, vejo o talento maior. É o descobrir, aos poucos, o lado mais sombrio do ser humano, a maldade elevada ao potencial do prazer.
O duelo de uma mente querendo dominar a outra, mas na luta pelo domínio e a superação na maldade e na torpeza. Um velho e feio criminoso histórico e de um jovem bonito, atraente, inteligente.
E sobre o enredo dizer nenhuma palavra acho que é o melhor convite à leitura. Não se arrependerão.