Literatura

A ILHA DO TESOURO, de Robert Louis Stevensons

 

 

Quase todo mundo conhece ou já ouviu falar de “O Médico e o Monstro” (The strange case of Dr Jekyll and Mr Hyde, no seu original), seja do livro, ou seja, do filme (aliás, com várias versões).

Mas talvez poucos saibam que o autor dessa famosíssima obra também escreveu “A Ilha do Tesouro” (“Treasure Island”, no original). Já esta obra esteve presente nas leituras de muitas gerações de jovens por mais de dez décadas. Escrito em 1883, ainda era sucesso na década de 50 do século passado quando o li pela primeira vez, e ainda agora (2019) lido pelo meu neto.

Relê-la foi um prazer renovado. A mesma habilidade narrativa de “O médico e o Monstro” faz a gente ficar grudado na “A Ilha do Tesouro”, embora com tema diferente, muito mais leve, não sei se menos dramático ou menos tenebroso.

Sem a profundidade e a complexidade da análise psicológica do médico/monstro, nem por isso os personagens de A Ilha do Tesouro deixam de ter suas personalidades reveladas, expostas e analisadas, sobretudo pelos comportamentos reveladores.

O mistério e o suspense do primeiro livro, envolto pela escuridão da noite e pela neblina dão lugar a uma estória de aventuras, com uma sucessão de acontecimentos, cuja narrativa nos prende para sabermos o que ocorrerá em seguida. Como nas novelas. O mistério não está na calada da noite, mas na sucessão de ardis, no suspense da expectativa e das surpresas que a personalidade dos personagens é capaz de engendrar.

A narrativa fluida, fácil e ordenada, vai mostrando comportamentos como astúcia, esperteza, coragem de uns e, ao mesmo tempo, a ignorância, a inocência e a covardia de outros. Ficam nítidos os conceitos de hierarquia social e os comportamentos e valores predominantes na época (1883 – auges do Período Vitoriano, e do predomínio do Império Britânico, e da Armada Inglesa dominando os sete mares).  Interessante como a rudeza e brutalidade se relacionam com a elegância e formalidade- fruto de uma época de grande riqueza e desenvolvimento econômico, mas de predomínio da nobreza e distanciamento de classes.

É possível ver como era a vida de pessoas simples numa pequena cidade litorânea inglesa e a importância do comércio marítimo. Ao mesmo tempo, Stevensons nos conta como eram as pessoas ligadas à marinha, as suas relações e ordenamentos, como eram mandados e como se submetiam (ou come se amotinavam) naquela época, e a ambição pela riqueza encontrada em todos.

O sucesso dessa obra, creio, é não ser apenas a expectativa de aventura presente em todos os jovens de cada época, mas também porque o protagonista é um jovem, o herói que todo adolescente gostaria de ser. Como eu, quando o li pela primeira vez.

Pense em todas as imagens de filmes de pirata que Você já assistiu inclusive os piratas do caribe. Ao ler “A Ilha do Tesouro” você verá a origem de muitas delas. Boa leitura.


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