Literatura

A CIDADE ANTIGA de Fustel de Coulanges

Você já viu a cena do recém casado carregando a noiva para entrar na nova casa? Você já se acostumou com as velinhas de aniversário, as velas acesas nos velórios, os círios das igrejas e procissões e mesmo as fogueiras das festas juninas.  Ouviu expressões como “que a terra lhe seja leve”. E tem ouviu o discurso (contra) a família patriarcal, de o pai ser o chefe da família e deter o poder econômico e dos problemas com herança.

Talvez o que V. não sabia é que esses conceitos, essas práticas esses valores e muitos outros são mais antigos que Homero, mais antigos que Roma, mais antigos que as Cidades da Grécia Clássica.  Suas origens estão nos povos árias, que há 36 séculos originaram povos da Índia, da Grécia e de Roma.

Como registra o autor: “o passado jamais morre para o homem. O homem pode muito bem o esquecer, mas continua trazendo-o consigo”, pois o homem “tal como é em cada época, ele é o produto e o resumo de todas as épocas anteriores”.

Neste livro escrito em 1865 o autor vai buscar a origem do pensamento dos povos que foi constitutivo das cidades gregas e romanas. Constata que os gregos do tempo de Péricles e Romanos do de Cícero traziam as marcas autênticas e os vestígios dos séculos anteriores.

As mais antigas gerações criam numa segunda existência (vida depois da morte) sem vir a usar outro corpo. Elas não concebiam a morada celeste. Os mortos continuavam a viver perto dos homens e sob a terra. Eles protegeriam a sua família se fossem bem tratados e não fossem esquecidos. Daí a importância de se manter a sua sepultura, manter sempre acesa a lareira porque ela representava a permanência dos ancestrais da família (porque a cerimônia da tocha olímpica?) e que mensalmente devia ser feito um banquete aos mortos para venerá-los (assim os mortos poderiam ter o repouso e serem felizes). E os ritos das orações deveriam ser mantidos sempre inalterados, para que os espíritos os entendessem. E esses espíritos se transformaram em deuses. Mas deuses “da” e apenas “para” a sua família. E o Pai, o chefe da família, era o responsável por manter isso. Se ele não mantivesse o túmulo, o fogo, as cerimônias e as orações inalteradas, os seus deuses abandonariam a família. Os deuses ficariam infelizes e passariam a atormentar, destruiriam colheitas, disseminariam doenças, fariam aparições lúgubres, porque sem sepultura a alma seria miserável, errante. Temia-se menos a morte do que a privação da sepultura. (Já ouviram que hoje em dia há quem ainda tem medo de fantasmas, de almas de outro mundo?).

Decorre dessa religião antiga a importância da família e, a partir dela na constituição das tribos, das gens, das alianças, das Cidades Antigas, enfim da sociedade do mundo ocidental.

Essa religião, em princípio doméstica, vai definir os papeis (direitos e obrigações) e as relações entre os vivos, entre os vivos e os mortos, e ainda entre a propriedade, a terra, o casamento, o divórcio, a herança, a primogenitura – todos os princípios do Direito. E dela vai decorrer a forma de governo, os poderes, os seus limites e obrigações, as camadas sociais, o direito a propriedade, e assim por diante.

Enfim, vamos encontrar a “seqüência de nosso DNA cultural”, num livro surpreendente (para mim), que não freqüenta prateleiras de Best Sellers, mas com linguagem clara, objetiva (um pouquinho redundante), com robusta pesquisa entre autores clássicos e mais antigos para sustentar suas conclusões, nos faz ter prazer em ler a História.


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