
Nos fins dos anos 50 (1950) e anos 60, surgiu um movimento literário que denominaram de realismo fantástico. Romances e contos de autores, principalmente ou basicamente de latino-americanos, tinham por característica contar, de forma “realista”, histórias (ou estórias) como reais, porém permeadas de situações e personagens absurdas, ou fantásticas, ou mágicas. Nada a ver com contos de fadas ou romances com historias fantásticas: neste realismo não havia espaço para duendes, bruxas, fadas, heróis imortais, ou lendas ancestrais. Por essa época, faziam sucesso as peças como O rei da Vela (Oswaldo de Andrade), Cemitério de
Automóveis (Fernando Arrabal), Esperando Godot (Samuel Becket), que para mim tinham certa semelhança com o realismo fantástico e chamavam de teatro do absurdo.
Absurdo foi reencontrar este livrinho de bolso, ensebado, e que me acompanhou por várias viagens nos ônibus da CMTC e voltar a lê-lo, quase sessenta anos depois.
E o tempo parece não ter alterado a impressão inicial (claro que não mais pela novidade), mas pela admirável capacidade narrativa de Júlio Cortázar.
Oito pequenos contos nos prendem a atenção de começo ao fim, e apesar dos enredos com fatos e situações insólitos, mantemos a expectativa do que há por vir.
Sem a prolixidade de Garcia Marque, o certo romantismo de Jorge Luis Borges, ou o intelectualismo de Vargas Lhosa – considerados expoentes desse movimento literário – Júlio Cortázar é preciso, objetivo, direto para nos descrever o indescritível.
Sobre esses oito contos, nada conto para manter a sua curiosidade. Lê-los será fantástico.
Saudade do tempo que eu andava de ônibus sempre tendo nas mãos, um livrinho… de bolso.