
SEXO E SEXUALIDADE
OPINIÃO DAS MULHERES COM 60+
Trabalho elaborado com a contribuição de Esther de Carvalho e Maria Luiza Moreno,
para o Curso da UATI da UNIFESP (2018)
ÍNDICE
PRIMEIRA PARTE
PEQUENA HISTORIA DO SEXO, SEXUALIDADE E ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
SEGUNDA PARTE
O SEXO DOS IDOSOS NOS ESTUDOS ACADÊMICOS
TERCEIRA PARTE
UMA PEQUENA AMOSTRA DO COMPORTAMENTO E OPINIÕES DAS MULHERES 60+
Resultados da Pesquisa
NOTAS
O SEXO, A MULHER E A FORMAÇÃO DA FAMÍLIA.
No início, o sexo no ser humano era exclusivamente biológico. A natureza impulsionava os seres humanos pré-históricos à reprodução, à perpetuação da espécie, como em todos os outros seres animais.
Além de procriar, reuniram-se em grupos que Engels (1) classificou como famílias. Essas famílias passaram por estágios: família consanguínea, família punaluana, família sindiásmica e família monogâmica.
A família original era formada por irmãos e primos, (irmãs e primas) em primeiro, segundo e demais graus e mantinham relações entre si. As fêmeas cruzavam com todos os machos.
E, por favor, não queiram supor que, na origem,o comportamento feminino era promiscuo, até porque esse conceito sequer poderia existir.
A segunda espécie de família, a punaluana, ainda num estágio selvagem, não permitia a relação entre “irmãos e irmãs” e posteriormente entre primos. Estas famílias teriam se desenvolvido mais e melhor. E os casamentos eram em grupos, ou seja, mulheres comuns de seus maridos comuns.
Parece que neste estágio começam a aparecer união de pares. Surge, então, a família Sindiásmica , onde união de pares com mais afinidade deram surgimento à poligamia – um direito dos homens.
A quarta espécie de família parece surgir com a civilização: a família monogâmica, onde a monogamia seria a regra.
Essa evolução demonstra que a liberdade sexual dos seres humanos foi cerceada, especialmente a das mulheres, ao longo da História. As tensões que eram solucionadas pelos casamentos em grupos, passaram a ser solucionadas (especialmente a dos homens) por meio do adultério e da prostituição. (2)
A noção de “propriedade” no sexo surgiu com a Agricultura, em função da preocupação de deixar terras e bens para os filhos “biológicos”, pois antes disso, o sexo não tinha muitas regras e as mulheres eram programadas para ter múltiplos parceiros.
Isso porque tinham uma habilidade natural de ter múltiplos orgasmos, mas também os vários parceiros aumentavam a chance de produzir descendentes. Ao invés da teoria popular de que os homens agrediam mulheres com pedaços de pau para forçá-las ao sexo, é provável que eles ficassem esperando a sua vez de poder fazer sexo, enquanto as mulheres faziam rodízio de parceiros. (3)
O SEXO, A CULTURA & A SAÚDE
Milhares de anos se passaram. E o sexo, não mais apenas como fruto do instinto biológico, passou a conter valores culturais, inclusive religiosos. Algumas sociedades pagãs – pré-cristãs – incluíam sexo em seus ritos religiosos, porque estava associado à natureza, à fertilidade e à reprodução.
O judaísmo e o cristianismo mudaram isso. A criação do pecado e sua associação com o sexo mudou as concepções. Se no Império Romano o celibato, a solteirice e a falta de filhos eram vistos como contrários à sociedade e ao Estado, sendo até punidos, os que tinham grande prole eram privilegiados. O cristianismo impôs comportamento contrário. A monogamia, o celibato, a virgindade, passaram a ser valorizados e sobre isso foi construída toda uma Moral. Uma Moral na qual a Mãe do Cristo deveria ser Virgem, e cultuada: a Virgem Maria.
Se a Monogamia gerou a prostituição, a prostituição gerou a hoje chamada DST. A sífilis foi o mal não de um, mas de vários séculos.
Cantada no poema clássico de Girolamo Fracastoro – o “Syphilis Sive Morbus Gallicus”, Segundo a tradição, Syphilus é castigada pelos deuses com uma doença repugnante. Menos romântico é o Treponema Pallidum, a bactéria que a provoca, e que é transmitida principalmente pelo contato sexual e transmitida pela mãe durante a gravidez.
Registrada desde séculos antes de Cristo, foi no século XVI que se expandiu na Europa, quase como epidemia, disseminada segundo hipóteses, pelos exércitos que se movimentavam. Mas não foi só na Europa: a doença se espalhou por todas as colônias em todos os continentes.
A sífilis atacava em todas as classes sociais – desde as mais humildes até reis e rainhas. Onde havia sexo, havia a doença em potencial. Onde havia mais sexo, maior o potencial. E quanto mais parceiros (as), mais disseminação. Nomes famosos da Política, das Artes, Ciências, das Casas Reais, até do Clero foram vítimas da sífilis. No Brasil, as coisas não eram muito diferentes. Para se ter uma ideia, Gilberto Freyre, um dos mais premiados intelectuais brasileiros, estudioso de nossa historia e sociologia, “contava que os meninos de 12 ou 13 anos eram ridicularizados se não tinham a marca da sífilis no corpo, ostentada “como se fosse uma ferida de guerra””. (4)
Aquela moral Judaico-cristã de associar o sexo com pecado e, consequentemente, a punição estava se reforçando: Sífilis era a marca do Pecado e a pena do pecador.
O século XIX foi influenciado pelo poderio Britânico “em cujo Império o sol jamais se punha”, portanto, estava presente em todos os continentes. A chamada “Era Vitoriana” – em referencia à Rainha Vitória – foi a era de uma sociedade puritana, extremamente sóbria, onde se valorizava a dedicação ao trabalho, à poupança e aos hábitos morigerados. A sociedade extremamente moralista, com profundos preconceitos e proibições de comportamentos. A defesa da fé e o rígido cumprimento de seus ritos eram valorizados in extremis.
E, evidentemente, o sexo era absoluto tabu, principalmente em relação às mulheres.
Os homens dominavam absolutamente – tanto economicamente, quanto social e até domesticamente – pois as mulheres deviam ser submissas totalmente à eles, cabendo-lhes exclusivamente cuidar dos filhos, do lar, e do bem estar de seu marido.
O comportamento moral rígido era amparado inclusive pela legislação criminal. A hoje, tão difundida e até venerada na defesa da igualdade de gênero, a “sodomia” era crime e a condenação era a prisão e trabalhos forçados: vide Oscar Wilde, entre tantos.
O SEXO, AS MULHERES & A IGUALDADE DE DIREITOS.
Antes rural, a sociedade passava a ser urbana. No fim do XIX, noventa por cento da população inglesa era urbana. A rápida urbanização levou grandes cidades como Londres se tornar em grande parte um amontoado de gente, em péssimas condições de habitação e saneamento, no que chamaríamos hoje de favela, digo, comunidade. Deslocados de suas origens, num ambiente totalmente diferente, em densidades demográficas nunca antes havidas o povo vivia em condições de promiscuidade.
Apesar disso, da disseminação da sífilis, a castidade ainda era considerada uma virtude. O sexo era associado às paixões baixas e alvo de repulsa social, inclusive, pelas camadas mais elevadas da sociedade, promiscuidade e a prática do sexo eram associados às camadas mais baixas (como se a burguesia e nobreza não o praticassem).
A insatisfação feminina, em qualquer circunstância, era considerada um “distúrbio” de ansiedade e tratada com medicamentos e, posteriormente, também pela psicanálise.
Mulheres com mais dinheiro, possuidoras desses distúrbios de ansiedade – e talvez as menos condicionadas pelo moralismo – poderiam pagar um medico especialista: no fim do século havia médicos especialistas especializados em reduzir essa “ansiedade”, em outras palavras, esses médicos manipulavam essas pacientes para que elas obtivessem orgasmo e com isso recuperar a sanidade ou normalidade.
A industrialização britânica não ignorou o mercado e nem as necessidades desses médicos especialistas: em 1869 foi inventado o primeiro vibrador a vapor e em 1880 o primeiro eletroquímico. Com isso, parece que se reduziu o numero de médicos especialistas com tendinite.
Essa sociedade conservadora, voltada para dentro da própria casa, perdurou por todo o século XIX, com o a manutenção da opressão das mulheres .
A luta das mulheres pela igualdade de direitos iniciou-se nos fins do século XIX, assumindo proporções somente no século XX, principalmente a partir da segunda década. A Primeira Guerra Mundial (1914/1918) produziu marcas profundas na sociedade europeia. Grande parte da população masculina foi convocada a ir a guerra. Por volta de dez milhões de homens foram mortos. E outros tantos milhões foram feridos. Nunca o mundo havia sofrido tal fenômeno. Na enorme ausência dos homens, mulheres tiveram que tomar o lugar deles. É quando as mulheres começam a “trabalhar fora”, não apenas como domésticas como era comum (os mais humildes eram empregados da elite nobre ou burguesa). Elas vão ocupar lugares na indústria, no comércio, na agricultura e nos serviços que antes eram prerrogativas exclusivas dos homens. As mulheres da classe média, sobretudo, serão as que mais aceitarão essas novas condições. Mais instruídas e ainda com necessidades financeiras (não eram herdeiras de fortunas como as nobres) vão ocupar o lugar dos homens – inclusive no comando dos negócios (dos maridos, pais, etc.). E quando a Grande Guerra termina essas mulheres já não queriam mais retornar à antiga condição de submissão ao homem e dependência econômica.
Daí o surgimento dos Movimentos pela igualdade de direitos da mulher, que reivindicavam direitos jurídicos igual ao dos homens, como a capacidade de gerir o próprio patrimônio, ter direito á educação, e ter iguais direitos civis.
Nesse aspecto, o que tomou maior vulto foi o movimento Sufragista, que exigia o Direito de Voto pelas mulheres, pois até então elas não tinham direito ao voto. Muitas foram perseguidas, muitas foram condenadas e presas, mas, por fim, somente em 1918, e na Inglaterra, foi concedido o direito de voto às mulheres, porém com mais de 30 anos.
No Brasil, só em 1932 é liberado o voto feminino.
O SEXO, A GUERRA & A ECONOMIA
A primeira metade do século XX transcorre mais ou menos com o estabelecido após o término da Primeira Guerra, com as consequências expostas. Mas o eixo econômico do mundo começa a se mudar para a América. O crescimento econômico dos Estados Unidos – apesar de seu isolacionismo – começa a alterar o centro das influências. Agora é a América que vai influenciar a Europa.
A grande nação americana foi constituída por valores diferentes. A República como regime de Governo, a Federação como elemento constituinte do Estado, a Democracia como forma de governo, tudo se baseava num princípio constitutivo da Nação: a liberdade individual e a igualdade de direitos. As mulheres americanas dos anos 20 a 40 do XX são menos conservadoras que as Europeias. O acesso ao ensino superior é menos restritivo às mulheres. Socialmente as mulheres americanas estão mais presentes. A “modernidade” que as inclui, é mais acentuada. A música (o jazz, o Fox, o rag ) e a dança são mais permissivas. A moda expõe uma nova mulher mais liberada. As jovens são mais liberadas que suas mães.
E aí vem a Segunda Grande Guerra. De 1939 a 1945 o mundo é devastado, principalmente a Europa. A população masculina jovem mais uma vez sofre com as vultosas baixas em combate. Só para se ter uma ideia, estes são números aproximados de homens jovens mortos durante a II Guerra:
| Países | População à época | Soldados mortos |
| Alemanha | 69.000.000 | 4.500.000 |
| Itália | 44.390.000 | 302.000 |
| França | 41.680.000 | 218.000 |
| Japão | 71.380,000 | 2.120.000 |
| Polônia | 71.400.000 | 240.000 |
| Reino Unido | 47.700.000 | 383.700 |
| Estados Unidos | 131.000.000 | 405.500 |
No total, os países envolvidos no conflito tiveram 15 milhões de soldados, ou seja, de homens, jovens, em plena capacidade produtiva e reprodutiva mortos. E além deles os milhões de feridos. Dá para se imaginar o que essa carência de homens teria representado para a população feminina.
As mulheres não eram convocadas para os campos de batalha. Mas milhares delas prestaram serviço militar, em funções não de combate (nos hospitais, na logística, e nas funções burocráticas). Entretanto, o que foi mais significativo: milhares e milhares de mulheres deixaram os seus lares para se engajarem nos esforços de guerra, ou seja, na produção– não só de armas e munição – mas de todos os tipos de produtos necessários: de alimentos à roupas, de barcos à caminhões, de alojamentos à aviões. Isso provocou uma profunda mudança na sociedade.
Primeiro, as mulheres passaram a ficar fisicamente mais próximas dos homens. Não apenas na igreja, nem nas escolas, nem nos saraus familiares onde poderiam ser vigiadas. Elas passaram a ocupar espaços comuns (fábricas, depósitos, lojas, escritórios, etc.) e ter a mesma importância econômica. Agora elas também produziam, tinham o seu próprio rendimento (salários) , e representavam um novo potencial de consumo.
As mulheres passaram a estar mais “ao lado” dos homens do que apenas ”por trás” deles. E mais participação na sociedade e na economia significava ter “mais direitos para si próprias” e direitos sobre sí próprias”.
Elas conquistaram um novo papel na sociedade. A igualdade de direitos vai ser representada agora pela disputa por cadeiras nas escolas e faculdades, disputa por postos de trabalho, lugares mais importantes nas empresas e na economia, disputa por voz política, já que passaram também a “ser elegíveis”.
Mas ainda faltava uma igualdade: a igualdade sexual.
O SEXO, REVOLUÇÃO & ESTUDOS ACADÊMICOS
A Academia, no sentido da descoberta científica – em todas as áreas do conhecimento, sejam nas ciências exatas sejam nas humanas – produziu saberes que provocaram verdadeiras revoluções nas sociedades. Com relação ao sexo não foi diferente.
Cremos que uma das causas da grande revolução do comportamento em relação ao sexo, surgiu de um estudo acadêmico. Referimo-nos especificamente ao desenvolvido pelo Professor Alfred Charles Kinsey, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.
Segundo a história do Kinsey Institut ( 5), foi em 1935, que Kinsey entregou uma palestra a um grupo de discussão da faculdade na universidade de Indiana, e teria sido a sua primeira discussão pública do tema em que atacou a “ignorância difundida da estrutura e da fisiologia sexual” e promoveu sua visão: “o casamento atrasado” (isto é, a experiência sexual retardada) era psicologicamente prejudicial. Evidentemente isso causou uma comoção pelo inusitado do tema e por abordar o que ainda era tabu. A partir daí, Kin sey desenvolveu a maior pesquisa cientifica sobre o tema. Sem preconceitos, Kinsey pesquisou tudo o que podia se relacionar ao sexo.
Indo além da teoria e das entrevistas “para incluir a observação e a participação na atividade sexual, às vezes envolvendo colegas de trabalho”, Kinsey justificou esta experimentação sexual como sendo necessária para ganhar a confiança de seus sujeitos de pesquisa. Inédita e controversa até hoje, ele “encorajou sua equipe a fazer o mesmo, a se engajar em uma ampla gama de atividades sexuais, na medida em que se sentiam confortáveis”. Ele argumentou “que isso ajudaria seus entrevistadores a entender as respostas dos participantes”, técnica e teoricamente correta, entretanto discutível diante de posições morais. Ele chegou a firmar atos sexuais que incluíam colegas de trabalho no sótão de sua casa como parte de sua pesquisa. E coletou material – inclusive hoje chamado de pornô em todo mundo.
De toda essa pesquisa resultou a publicação dos seus resultados nos dois livros Comportamento Sexual no Homem Humano (1948) e Comportamento Sexual no Homem Humano (1953). E suas revelações foram chocantes. Kinsey defendeu “que todos os comportamentos sexuais considerados anômalos são na verdade normais, e ao mesmo tempo afirmou que ser exclusivamente heterossexual é anormal: é fruto de inibições culturais e de condicionamentos sociais, contrários à natureza do homem”. Ele compartilhava a opinião dos que afirmam que os cristãos herdaram o comportamento sexual quase paranóico dos judeus.
O trabalho de Kinsey até hoje recebe criticas (5) e é contestado por diversos estudiosos, sobretudo pelos métodos usados – sem dúvida nem todos ortodoxos – e mesmo por falhas de representatividade na formulação de amostras e interpretação de dados. Essas são contestações de natureza técnica, feita por acadêmicos. E, dada a natureza da matéria, e das suas revelações (como o orgasmo infantil, a homossexualidade, a pedofilia, etc.etc. etc.) sem dúvida se fazem presentes até hoje influências de natureza religiosa e moral nas críticas ao trabalho. Muitos contestam parcialmente..Outros desconsideram totalmente a sua validade. “Após 40 anos, durante os quais se deu um crédito quase absoluto aos dados publicados por Kinsey – com terríveis consequências morais e intelectuais para a Sociedade –, cientistas de vários países demonstraram a falsidade das conclusões do “relatório” e o seu escasso rigor científico. Para dar um exemplo disso, podemos mencionar o recente estudo intitulado (5) .
Criticas à parte, a verdade histórica é que a publicação desses estudos atuou como uma bomba no comportamento da sociedade americana e mundial. A sexologia passou a ser um “assunto”. O sexo passou a ser visto de uma outra forma. E principalmente para as mulheres foi importante por reconhecer o seu direito ao sexo, em igualdade de condições, e sem rótulos de anormalidade aos seus desejos.
Sim, com os profundos estudos sócio-científicos, agora as mulheres podiam fazer sexo!
O SEXO, O ROMANTISMO & A LIBERAÇÃO SEXUAL
Segundo a historiadora e Livre-docente da Universidade de São Paulo, Janice Theodoro, “somos, inevitavelmente, escravos da estética de nosso tempo”.
E apesar de todos os esforços do pós-modernismo ainda continuamos presos à estética romântica do século XIX.
Hoje, para atender à demanda das teses do sexo como sendo “uma decisão pessoal” (talvez como ser médico quando crescer, ou ser jogador de futebol, ou veterinária) , estudiosos se referem à “orientação sexual” como uma mera opção entre inúmeras possíveis. Há aqueles que justificam as mais diversas práticas sexuais (do homossexualismo ao pansexualismo), havendo já quem coloca a hipótese da “catalogação” da existência e meia centena de “gêneros” ou “opções sexuais”.
Entretanto, independente desses relacionamentos de diversas orientações sexuais, mas que respondem apenas a uma atração sexual, também estudos atuais referem-se ainda ao “relacionamento romântico” ou o “se apaixonar”, coisa que parece coisa do século XIX.
Mas explicam que “uma pessoa bissexual pode se sentir atraída sexualmente por múltiplos gêneros, mas esta pessoa pode ser predisposta a sentir mais intimidade romântica, afetiva ou emocional com apenas um gênero”. Ora, substitua-se “gênero” por “ pessoa “ e temos o romantismo antiquado. Assim, os conceitos de “orientação romântica” e de “orientação sexual” reconhecem que pode haver relações sexuais sem que haja ligações românticas ou afetivas entre os parceiros, e que vice-versa, relações românticas e afetivas não necessariamente impliquem atração sexual entre os parceiros; afinal, a intimidade interpessoal não necessariamente requer atração sexual, pois o sentimento de atração envolve muitos outros pontos além da sexualidade)” (8)
Ora, a valorização do afeto, do amor, dos gestos e palavras amistosas, a dedicação ao amado, são elementos essenciais à estética romântica.
O romantismo – movimento artístico, político e filosófico durou de fins do XVIII e todo XIX, tinha uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo. Antes “Era apenas uma atitude, um estado de espírito, que se torna um movimento estético. E o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo, onde os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo”. (9)
O romantismo “é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais”. [10]
Essa estética que, no XIX e até no XX, gerou toda uma literatura – em prosa e, sobretudo em versos; nos mais expressivos movimentos nas artes plásticas; na música – erudita e popular; na moda; enfim, em todas as formas de expressão humana, esteve e ainda está presente entre nós.
Hoje, mesmo em muitas letras de músicas populares , até nos estilos mais voltados para a valorização do sexo livre, ainda se encontram componentes do romantismo ( o simples fato de se dedicar a um pessoa específica, já é um traço remanescente).
As pessoas de uma maneira geral, e as mulheres em particular por serem sempre as mais oprimidas, geraram movimentos contrários às normas restritivas da sociedade e propunham mais liberdade.
Ora, Movimentos de Liberação Sexual podem ser contados desde o próprio Marques de Sade. Quem conseguiu ler seus livros-além de práticas terríveis – vai encontrar um libelo libertário, principalmente contra os religiosos e os governos “opressores”. Menos grotescos, os poemas libertários de Swinburne caracterizavam esses movimentos, e o comportamento de Oscar Wilde e suas obras – quem não leu O Retrato de Dorian Grey – todos eles procurando destruir os valores da moral da sua época – praticamente todos esses valores oriundos da moral judaico cristã.
As artes plásticas – apesar da licença que o Classicismo da antiguidade que conferia as obras com nus – foram sempre uma vanguarda. As obras de Canova no inicio do XIX valorizando o erotismo como a belíssima obra Eros e Psiche ou as de Rodin, como O Beijo (1887), valorizando o erotismo feminino, evidentemente chocaram os frequentadores conservadores dos Salões de Arte. Mas nada como “ L’Origine du monde, de Courbet” de 1866 para refletir a forma mais direta da arte abordar o sexo feminino, não mais romântico, mas realista,
As artes são as maiores expressões da estética, e os meios de comunicação a sua difusão. E constatamos que a cada inovação nos meios de comunicação, mais um passo se dava nesse processo libertário.
Além da literatura, como já citado, a música expressava esses sentimentos. Óperas – mesmo em épocas puritanas – levaram aos palcos personagens com comportamentos nem um pouco puritanos. Não puritano, mas romântico. Rossini, Verdi, Bizet e muitos outros, por obra de seus libretistas, colocaram nos palcos temas controversos e personagens, sobretudo de mulheres de comportamentos libertinos, que muitos diziam “de vida fácil”. Difícil era para as sopranos interpretarem as árias de amor. Mas era amor romântico.
O cinema – ainda em preto e branco e mudo no inicio do XX – expunha os amores despudorados e beijos idem, porém românticos, de Ramon Navarro, Clara Bow, Rodolfo Valentino, Mary Pickford. E depois, com o cinema falado, som e os sussurros proibidos do amor romântico ocuparam as grandes salas de cinema. Revelando e influenciando novas formas de comportamento.
É inesquecível, para quem viu no lançamento do filme, a cena de um orgasmo (talvez uma das primeiras no mundo cinematográfico), no filme “O Beijo”, com Jeanne Moureau.. Ela interpretra uma mulher, e na cena em que está na cama com seu amado, tem um profundo orgasmo,,.enquadrando exclusivamente a mão da atriz, retrata na tela um tabu até então: um orgasmo. Porém de uma expressividade estética plena. Hu-la-lá, Nouvelle Vague!
Até que a imagem e o som – antes restritos aos cinemas – entram nas casas pela televisão, continuando o processo de mostrar alteração de comportamentos. Mas a televisão ainda é romântica, apesar de ser comunicação de massa. Ela é acompanhada pelos outros meios (rádios e periódicos) – principalmente revistas – que passam a tratar de assuntos que, décadas atrás, seriam inimagináveis.
Nos anos 50 do século passado a mulher – nos meios de comunicação de massa – ainda era a esposa, mãe, dona de casa. Mas a juventude nesse pós-guerra não era mais dócil e obediente, mas “transviada”. A “Juventude Transviada”, prenunciava a verdadeira revolução: a Revolução da Libertação da Mulher. Ainda sob a égide da estética romântica, o assunto sexo tornava-se assunto público, porém ainda atrelado ao sentimento, ao gostar, ao amor.
Artigos em revista passaram a não tratar mais a mulher do ponto de vista da criação dos filhos, do ponto de vista do fogão, do aspirador de pó, das costuras ou das refeições. O caminho da mulher que era do fogão ao tanque, da mesa do café da manhã à escola das crianças, passou a incluir um novo ponto de parada: a cama. Com seu marido, evidentemente.
Os anos sessenta do século passado foram muito marcantes em termos de movimentos e modificações sociais.
Os concursos de Misses, até hoje existentes embora de maneira decadente, nos anos sessenta atraiam enormes audiências em todo mundo. Famílias se reuniam para ver as finais na Televisão, com suas preferidas e torcidas. Era uma competição para valorizar a beleza da mulher. E foi exatamente contra um desses Concursos (o Miss America DE 1968) que um movimento feminista (o WLM ou Women´s Leberation Movemente) fez um grande protesto contra a realização desse concurso. Segundo notícias da época, quase 500 mulheres invadiram um centro de convenções (o Atlantic City Convention Hall) onde se realizava a Convenção Nacional do Partido Democrata americana. E o que fizeram? Arrancaram e jogaram pelo chão sapatos de saltos, maquiagens, cílios postiços, sprays de cabelo, cintas, ligas, e, claro, alguns (ou muitos) soutiens, simbolizando a “escravidão” a que as mulheres sofriam – apenas aparência, apenas a beleza, apenas a futilidade.
A imprensa deu grande destaque, com um título simbólico: The BraBurners ( as queimadoras de soutiens). Ninguém colocou fogo em nada, (teria sido uma catástrofe se o fizessem), mas criou-se a lenda da queima de soutiens como fato, e não mais só como um símbolo.
Muitos movimentos feministas, em todo o mundo, influenciados por isso, e seguiram o exemplo: em muitas cidades da Europa principalmente, reuniram-se em praças públicas e, ai sim, queimaram soutiens, agora como objeto “anti-sexo reprimido”, deflagrando o movimento pela libertação sexual feminina.
Podemos considerar que foi nos anos setenta que o sexo, sem romantismo foi introduzido no cinema. Até então, filmes explícitos eram curtas metragem (bem curtas) produzidos em Super 8, com poucos minutos de duração e distribuídos clandestinamente na maioria dos países. Com a liberação de algumas salas de espetáculos nos Estados Unidos para exibição de “filmes eróticos”, em 1972 estreou um filme estrelado por uma ex-garota propaganda de uma marca de sabonete, de nome Linda Lovelace. O filme chamava-se Deep Throat, o primeiro filme erótico (ou pornográfico) de longa metragem, produzido com as características das produções de Hollywood (classe B, com certeza). De lá pra cá, essa indústria só cresceu e se disseminou. Com a introdução do vídeo-tape, e do VHS, os custos de produção caíram e a qualidade técnica (cinematográfica) melhorou. E com a adoção da imagem digital invadiu todas as casas Via a Internet.
Mas, nos anos sessenta, apesar de toda essa exposição do assunto (e de imagens), com os conceitos da liberação feminina cada vez mais aceitos, as mulheres, continuavam a ter um freio à sua liberdade sexual: a concepção.
E a gravidez não era questão de opinião, que poderia ser relativizada. Como consequência da prática do sexo, ou não estava, ou se estava grávida. E ponto.
A gravidez era a última barreira contra os sexo.
O SEXO, A IGREJA & A GRAVIDEZ.
Se por milênios o sexo para as mulheres teve sua restrição associada ou à doença, ou ao pecado ou ainda à submissão ao homem, no século XX essas barreiras começaram a ser destruídas. A sífilis foi controlada e praticamente erradicada.
O século XX foi marcado também pelo declínio da influência da Igreja Católica Apostólica Romana. Apesar do crescimento das Igrejas protestantes, das pentecostais, e todas as suas ramificações, os princípios morais das igrejas cristãs permaneciam. Principalmente os relacionados ao sexo. Elas continuavam a valorizar a abstinência, o sacramento do casamento, e a condenar o sexo pré-matrimonial, e a manter o princípio da virgindade da mulher antes do casamento.
Entretanto, a virgindade de Maria, mãe de Jesus, só foi aventada oficialmente 400 anos após a sua morte. Foi no III Concílio, o de Êfeso, em 431 D.C. que pela primeira vez foi proposta a fé na natureza (hipostática) humana e divina de Jesus Cristo, concluindo pela verdade dogmática da maternidade divina de Maria. Vinte anos após, no IV Concílio, o de Calcedônia, foi reafirmado o preceito de que Cristo foi gerado por Deus e por Maria “virgem, Mãe de Deus”. Em Constantinopla, no V Concílio Ecumênico, em 553 D.C, foi firmado o dogma da maternidade divina, e também da virgindade perpétua de Maria, passando a chamar a Mãe de Deus de “santa e sempre virgem”.
Esse conceito da virgindade de Maria, deve ter sido contestado por parte da comunidade católica, senão, possivelmente não teria sido tão reafirmado em tantos concílios. Por exemplo: em Constantinopla, no VI Concílio Ecumênico, em 681 D.C. (reafirmando a maternidade divina de Maria); no Concilio de Nicéia, o VII, em 787 D.C.; em 870 D.C. no VIII Concílio em Constantinopla (renovando o culto às imagens de Maria “Santíssima”; no Concílio de Latrão em 1215 D.C.(reafirmando que Jesus era o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo, de Maria sempre virgem); em Lion, em 1237 no XIV Concílio (de novo reafirma de Jesus Nasceu do Espírito Santo e de Maria “sempre virgem”; em 1445, no XVII Concílio de Florença (reafirmando que Deus assumiu a natureza verdadeira e íntegra de homem no “seio imaculado de Maria Virgem” …); e em Trento, no XIX Concílio Ecumênico, em 1563 (no decreto sobre o pecado original, “declarou que não era sua intenção incluir nele a santa e imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus e afirmou que Maria Santíssima é considerada pela Igreja imune de toda culpa atual, ainda que mínima, renovou a afirmação da liceidade do culto das imagens de “Cristo, da Virgem Mãe de Deus e dos outros santos…” ) (13)
Tudo isso pode parecer antigo demais. Mas, quando muitos de nós já éramos nascidos, e todos os contemporâneos do Papa João XXIII, vão se lembrar do Concilio comandado por ele, de 1962 a 1965. Apesar de reformador, foi incluída na Constituição Dogmática Lumen gentium, o esclarecimento sobre o lugar da Bem-aventurada “Virgem” Maria Mãe de Deus no Mistério de Cristo e da Igreja.
Ora, se não fosse tão importante para a doutrina ela não teria sido tantas vezes reafirmada. E, independente da teologia, a “Virgem” Maria continuava e continua a ser venerada.
Em todos os países católicos e sob as mais diversas venerações, há inúmeras “Nossas Senhoras”: a de Lourdes, de Guadalupe, Aparecida, do Rosário, da Penha, das Dores, das Graças, e dezenas de outras.
Se a doutrina e a tradição tanto tratam da virgindade é porque consideram importante, queiram ou não, gostem ou não. Mas o fato é que um ser nasceu, de forma humana, num parto, consequência de uma gravidez. E fora dessa doutrina, para todos os seres humanos a gravidez é consequência do sexo.
SEXO, A LIBERDADE & A DÉCADA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
Os anos 60 do século passado foi uma década em que movimentos sociais e verdadeiras revoluções se espalharam pelo mundo. Não foram somente as mulheres que exigiam liberdade e igualdade.
Em 1966, um militante negro do movimento dos estudantes pela não violência nos Estados Unidos, após ser preso pela 27ª vez, mudou o discurso pacifista, e ao invés de gritar pela liberdade, propôs começar a afirmar o “poder negro “ (Back Power). Explodiram movimentos em todos os Estados Unidos. Personagens como Malcom X, com discurso radical e Martin Luther King, mais pacifista e assassinado, foram símbolos dessa verdadeira revolução.
Na França, os estudantes da Universidade de Nanterre começaram a se manifestar contra a gestão da universidade, que era acusada de ser retrógrada, reacionária, e contra a expulsão de alunos que protestavam contra a direção. Os estudantes protestaram, contra a expulsão, contra o modelo educacional, e também contra a proibição de dividirem os quartos da universidade com o sexo oposto (oposto?). O movimento cresceu, tomou todas as universidades, foi apoiado por grande parte da população, os sindicatos decretaram greves, fábricas foram ocupadas, intelectuais tomaram seu partido, enfim o Governo teve de intervir.
E começou o declínio do grande herói Frances, Charles De Gaule, que já havia perdido a Argélia, na guerra pela sua libertação, que foi uma das diversas guerras de libertação ocorridas na África durante essa década.
Na Cortina de Ferro a tentativa de países dominados pela União Soviética de se libertarem culminou com a Primavera de Praga e a invasão da Tcheco-eslovaquia pelos exércitos russos. Em contrapartida, na América, Cuba adota o comunismo e se coloca na órbita e sob a determinação da União Soviética. E dissemina a revolução por todos os países latino-americanos (e africanos), de mãos dadas com a Teologia da Libertação, outra revolução, esta na Igreja Católica.
Na China, Mao Tsé-tung, após o fracasso econômico com milhões de mortes e fome generalizada, impõe à população a Revolução Cultural.
Nos Estados Unidos a revolução foi pela paz e contra a guerra. Especificamente contra a Guerra do Vietnã. Parte significativa da população America opôs-se contra a participação dos Estados Unidos na guerra. Entretanto, esse movimento foi associado aos movimentos da “contra-cultura”, que propunha uma nova abordagem para todas as expressões.
Paz e Amor passou a ser o grande slogan. E sob ele, todo um novo modo de vida começou a se implantar. Modo de vida onde a liberdade se impunha.
Os Yippies são os protagonistas dessa nova cultura. A preocupação ambiental, a abolição de armas (nucleares), a vida comunitária, a adoção de religiões orientais, são exemplos de suas “propostas” – algumas que permanecem até hoje. E, dentro do nosso tema, propunham a prática do nudismo e da emancipação sexual. Ou seja, era a liberdade sexual total.
Essas revoluções provocaram, evidentemente, mudanças em todos os sentidos: nos conceitos educativos, na filosofia, na sociologia e, naturalmente na estética. O modernismo ficara ultrapassado. E isso se refletiu na literatura, nas artes plásticas, no cinema, na dança, na música (Woodstock era só um show de rock!).
Nas ciências e tecnologia houve também inúmeras revoluções: o homem, finalmente, chegou à Lua.
(NOTA: Julgamos oportuno esses registros por:
SEXO, A PÍLULA E A LIBERDADE
Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade disse Neil
Armstrong quando deu o primeiro passo na Lua, evento transmitido pela televisão para todo o planeta.
“Um pequeno comprimido para a mulher, um salto inimaginável para o mundo feminino”,
diremos nós, sobre a pílula anticoncepcional.
Até os anos 50 do XX, as mulheres solteiras que não conseguiam evitar uma gravidez
indesejável, teriam de enfrentar uma sociedade hostil e persecutória em relação às
mães solteiras. Não só a sociedade, mas a própria família as recriminavam quando
não as baniam.
Cremos que a grande maioria das pessoas idosas, com mais de 60 anos, se lembra do contexto
social e de como eram tratadas as moças (que deixavam de ser “moças”) e engravidavam antes do
casamento. E como eram comuns os casamentos forçados. Ou então, os casamentos apressados”.
E quantas, por coincidência (?) geravam primogênitos prematuros, com seis meses de gestação,
mas gordinhos. Tudo isso passou a ser coisa do passado.
Mas, naquela época, a alternativa para essa situação era o aborto. Mas o que seria
pior? Enfrentar as hostilidades, o banimento, e fazer o filho carregar a “culpa” por toda
a sua vida, ou praticar o aborto?
E se o fizesse e fosse crente iria enfrentar a condenação eterna. Pois esse era um
Pecado Mortal. Em termos legais, aborto era um crime. E é até hoje em muitos países,
inclusive no Brasil!
Com o advento da pílula, enfim, o sexo podia ser biologicamente dissociado da
reprodução.
Mas não foi por acaso. Uma milionária americana, Katherine McCormick, e uma feminista,
Margareth Sanger, ambas batalhadoras e convictas, resolverem financiar um cientista, Dr.
Gregory Pincus, um biólogo, nos Estados Unidos, para pesquisar “uma pílula contra a
gravidez que fosse fácil de usar, eficiente e barata.” E as pesquisas tiveram de serem
desenvolvidas às escondidas, com muito sigilo, pois a lei americana proibia os contraceptivos.
No dia 18 de agosto de 1960 foi lançado o contraceptivo oral “Enovid-10”.
Apesar desse verdadeiro milagre, apesar de muitas mulheres rezarem para não estar
grávidas, ao que se sabe nenhuma mulher reza em agradecimento a essas santas, Santa
Katerine McCormick e Santa Margareth Sanger.e muito menos para São Gregory Pinkus.
As mulheres, enfim, tinham o direito ao sexo sem o risco da exibição e condenação públicas.
Enfim sem riscos, a partir daí, seria só o prazer!
O SEXO, A IDADE & A LONGEVIDADE
Esse progresso em relação ao sexo feminino foi acompanhado simultaneamente por outro fenômeno social: o aumento significativo do tempo médio de vida.
Enquanto na segunda metade do Sec XX e primeira década do Sec XXI houve a grande mudança em relação à sexualidade feminina, a população em geral e as mulheres em particular tiveram uma enorme elevação no tempo médio de vida, em todo o mundo, e também no Brasil.
Para se tiver uma ideia, hoje se vive mais de um terço a mais do que na década de 50. As pessoas naquela década morriam por volta dos 46 anos. Hoje se ultrapassa os 74 anos.
Além de viverem muito mais, as pessoas se concentraram mais nas cidades. Na década de 40, menos de 1/3 da população vivia em cidades. Hoje, mais de 80% vivem nas cidades (população urbana).
Urbanização significando maior concentração populacional nas cidades, significa também mais facilidades de atingir a população com políticas públicas dirigidas à higiene e saúde: saneamento, vacinação, controles de doenças, etc.
O avanço da tecnologia e das conquistas da medicina, aliadas às melhores condições de higiene e saúde, permitiram não só maior longevidade, mas aumentar o período e estender o apogeu ou período de plenitude física da população. Na primeira metade do século passado, após os 40 tínhamos velhinhas e moribundas. Hoje, aos 40 temos mulheres na plenitude física total, e até mesmo a maternidade – antes encerrada aos 40, hoje para muitas é iniciada aos 40.
Ora, o vigor de todas as atividades físicas foram estendidas para idades cada vez mais longevas das mulheres. E porque não também as atividades sexuais? As alterações de natureza sócio-culturais se uniram as de natureza biológica: sexo mais permitido e sexo permitido por mais tempo!
O SEXO, OS HOMENS & A IDADE
Os homens passaram a viver mais tempo, como as mulheres.
Os homens sempre tiveram, socialmente, mais permissão para a atividade sexual, como já visto. Iniciavam sua vida sexual já na adolescência. E a cultura, Brasil inclusive, ou ademais, os licenciava para atividade intensa (homem com muitas, garanhão, herói… mulher com mais de um…???)
Mas em contrapartida a essa vantagem, havia uma maldição biológica: o avanço da idade significava o recuo da testosterona.
Se a queda na progesterona faz a mulher sentir uma série de alterações em seu corpo (pele, seios, genitália, ciclos, queda no apetite sexual, ondas de calor, etc.) e ela parece saber lidar com essas alterações, enquanto que o homem parece se fixar a uma só manifestação: a queda da potência, ou a maldição da impotência.
O sexo para o homem parece se concentrar exclusivamente na ereção do falo.
Como a sociedade valorizava a potência masculina, a sua virilidade, o seu machismo, etc., a contrapartida foi também cruel: para o homem, nada mais ofensivo do que se ver “impotente”, “sexualmente incapaz”.
Nada pior do que, “verbus vulgaris”, ser um “brocha”.
Então, ao invés de termos uma convergência, com as mulheres mais liberadas e ativas por mais tempo, temos um homem subjulgado pela natureza biológica: Mulheres mais velhas e mais aptas e homens mais velhos… e… nem tanto.
Parecia um impasse. Mas eis que a medicina, mais uma vez, cria seus milagres.
O SEXO, O ENGOV E A PILULA DO HOMEM
Nos anos 70, um analgésico teve sua proposta conceitual de ser contra a ressaca. E propunha: “um antes e um depois” da bebedeira, evidentemente. Foi uma novidade para o Fontol, o Melhoral, a Aspirina.
Porém, os anais da propaganda registram que um dos anúncios mais memoráveis dos anos 70 foi o comercial do Engov.
Associado a hábitos masculinos (beber, ressaca), propunha “um antes e um depois” – de beber, é claro. Porém, adicionaram uma assinatura, ou um “slogan”. O anúncio afirmava: “Engov. A pílula do Homem!”.
O Engov fez mais do que um excelente anuncio: lançou uma profecia!
No começo da década de 90, o laboratório americano Pfizer, investiu muito em pesquisas e testes para encontrar um medicamento para hipertensão (alta pressão sanguínea) e angina (uma forma de doença cardiovascular isquêmica). Mas desistiram em 1992 porque as primeiras impressões sugeriram que a droga tinha pouco efeito sobre a angina. Mas “os pesquisadores notaram algumas propriedades no Citrato de Sildenafila que poderia lançar uma nova luz sobre o tratamento de disfunções eréteis. Testes então confirmaram que a substância realmente poderia ser uma esperança para homens que eram incapazes de manter uma ereção por tempo suficiente para atividade sexual normal. A partir daí testes clínicos envolveram pacientes com idades variando entre 19 e 87 anos que sofriam de disfunções eréteis causadas por vários motivos (traumas graves na espinha , diabetes, histórico de cirurgias na próstata e também pacientes com causas não-identificadas de disfunção sexual). Os diversos testes foram feitos com pacientes em todo mundo”. (12)
E, em 27 de março de 1998 foi aprovada pelo FDA a primeira pílula aprovada para o tratamento das funções eréteis: o VIAGRA!!!
O equilíbrio estava restaurado: mulheres mais idosas “aptas e dispostas” e, agora, “homens mais idosos capazes”!
SEGUNDA PARTE
O SEXO DOS IDOSOS NOS ESTUDOS ACADÊMICOS
Foi feita uma busca em diversos arquivos de Universidades em trabalhos, língua portuguesa, relativos ao tema da sexualidade na terceira idade em títulos correlatos com sexo, sexualidade, atitudes sexuais envelhecimento, terceira idade, idoso.
Selecionamos trabalhos de diversas localidades do Brasil e Exterior para proporcionar uma maior amplitude de conhecimento já que, na hipótese de que o Meio – e consequentemente de fatores culturais – condicionam os comportamentos
Inúmeras Dissertações de Mestrado, de Teses de Doutorado e de Ensaios e Trabalhos em Pós foram encontrados e analisados. É praticamente impossível se fazer uma síntese das conclusões e propostas, embora lato sensu, tratem de matéria em comum.
Procuraremos destacar os pontos que nos pareceram mais significativos, sob a ótica da revelação de dados novos, ou de propostas inovadoras, ou ainda de abordagens inéditas..
Destacamos que, em função do cronograma, e por não estar publicado, deixamos de mencionar a Tese de Doutorado, da Doutora Claudia Ajzen , brilhantemente defendida perante a Douta Banca da Universidade Federal de São Paulo, em 21 de setembro de 2018, e que membros deste grupo tiveram o privilégio de assistir a defesa, que na humilde opinião do grupo deve ser considerada obra de referência no assunto e, publicada e divulgada, venha a estimular o aprofundamento do estudo das inéditas e corajosas abordagens .
Sem o rigor acadêmico, procuramos resenhar cada uma das Teses, Dissertações, e Ensaios analisados, sem buscar uma síntese.
São eles, que seguem nas páginas seguintes:
A PRODUÇÃO CIENTÍFICA SOBRE ENVELHECIMENTO E SEXUALIDADE NO BRASIL
NA BASE DE DADOS DA CAPES
Comecemos por este trabalho realizado por Talita Meireles Flores e Zaira de Andrade Lopes, respectivamente Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, e Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, e publicado no Portal Da Fundação Coordenação De Aperfeiçoamento De Pessoal De Nível Superior (Capes), órgão sobejamente conhecido pela comunidade acadêmica.
Este trabalho pareceu-nos interessante abrir este Capítulo pelo objetivo de revelar as pesquisas sobre a sexualidade na terceira idade, em uma perspectiva de gênero. Para esse fim, as autoras fizeram um levantamento bibliográfico na Base de Dados da CAPES. Buscaram o recorte das produções realizadas no período de 1987 a 2011, período significativamente longo. Na pesquisa, foram encontradas diversas abordagens teórico–metodológicas, utilizadas nas pesquisas sobre sexualidade na terceira idade, dando destaque para a teoria das representações sociais e teorias de gênero. Constatou-se o crescimento da produção científica sobre sexualidade e envelhecimento nos últimos 24 anos. Entretanto, concluem, os resultados apontados que ainda há muito a ser estudado e realizado nessa área e, principalmente, que a sexualidade na velhice seja respeitada pela sociedade e visualizada pela ciência.
Com as palavras-chave “Envelhecimento e Sexualidade”, o levantamento Bibliográfico realizado na Base de Dados do Portal da CAPES encontrou 62 dissertações e 7 teses, totalizando 69 produções tratando de estudos sobre a sexualidade na terceira idade nos últimos 24 anos.
Foi observado um aumento expressivo nas produções acadêmicas na área, no período de
2003 a 2011. Este fato pode estar relacionado ao aumento de movimentos sociais em prol dos direitos dos/as idosos/as, que culminou na aprovação do “Estatuto do Idoso” em 2003. Além disso, notou-se um aumento nas produções científicas sobre a AIDS na velhice, a partir de 2005. Isto pode ser reflexo da alta incidência de AIDS entre a população idosa, que dobrou nos últimos dez anos (de 7,3 em 1996 para 14,5 em 2006), conforme dados do Plano Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde (BRASIL, 2008).
Os temas mais encontrados no conjunto dos trabalhos foram relacionados a corpo e sexualidade na velhice; a permanência da sexualidade na velhice; envelhecimento, sexualidade e AIDS; sexualidade, envelhecimento e gênero. Tais temas foram descritos detalhadamente.
Os trabalhos foram agrupados conforme as temáticas mais específicas abordadas nas produções:
aposentadoria:
Este trabalho conclui que “a produção científica sobre sexualidade na terceira idade tem crescido ao longo do período pesquisado (1987 a 2011), contudo as pesquisas ainda apontam lacunas a serem preenchidas sobre a elaboração de conhecimento a respeito da temática em questão. Os trabalhos sobre envelhecimento,
sexualidade e gênero mostraram-se expressivos, embora tenham destaques os estudos sobre a sexualidade da mulher idosa, certamente decorrente da prevalência de estudos feministas. Ainda é necessário mais aprofundamento nos estudos sobre homossexualidade na velhice e sobre a sexualidade de homens idosos. Notou-se também uma dedicação expressiva a produções sobre soropositividade, gênero, sexualidade e envelhecimento. Apesar de ser preciso um maior aprofundamento na pesquisa sobre a temática abordada, este trabalho procurou oferecer informações sistematizadas sobre a sexualidade na terceira idade para os profissionais que se interessam pelo tema e lidam com a população idosa. (14)
A SEXUALIDADE NOS IDOSOS.
CONTRIBUTO PARA A AVALIAÇÃO DAS ATITUDES FACE À SEXUALIDADE NOS IDOSOS E A SUA RELAÇÃO COM A RELIGIÃO E NÍVEL COGNITIVO (EM PORTUGAL).
Ana Lidia da Silva Pinto, na sua Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica Ramo Psicoterapia e Psicologia Clínica, no Instituto Superior Miguel Torga Escola Superior de Altos Estudos de Coimbra, em 2012, estabeleceu uma escala construída para o trabalho, e que se tornou elemento chave para a pesquisa.
“A escala de atitudes face à sexualidade no idoso foi relacionada com algumas características sociodemográficas: gênero, idade, estado civil, escolaridade e religião. Da análise realizada ressaltam evidências de uma atitude conservadora face às questões da sexualidade na 3ª idade.
Através de uma amostra de 120 idosos com idades compreendidas entre os 60 e os 97 anos de idade, constatámos que os homens e as mulheres distinguem-se significativamente no que respeita às atitudes face à sexualidade, exibindo os homens uma atitude global mais positiva e liberal (M = 25.82). Os resultados evidenciaram um efeito significativo da variável escolaridade sobre o nível cognitivo, revelando que quanto maior a escolaridade do idoso na nossa amostra, maior é o nível cognitivo. Relativamente ao estado civil, os casados revelaram uma atitude global mais positiva perante a sua sexualidade (M = 31.98) comparativamente aos viúvos (M = 27.26) e aos divorciados (M = 23.67). A religião apenas se mostrou associada com a escala de atitudes face ao cristianismo, evidenciando aqueles que são praticantes, uma atitude mais positiva em relação ao cristianismo. Na nossa amostra, também podemos constatar que quanto maior é o nível cognitivo, mais positiva é a atitude face à sexualidade. Com base nos pontos de corte do MMSE verificou-se que 75% dos idosos da nossa amostra não apresentava qualquer défice cognitivo. Comparados os grupos, sem e com défice cognitivo, constatou-se que o grupo de idosos sem défice cognitivo exibe uma atitude mais positiva face à sexualidade que o grupo com défice cognitivo”
E conclui no seu Resumo:
“Pretendemos que de alguma forma este estudo contribua para dar a conhecer as atitudes dos idosos face à sua sexualidade bem como esperamos que os nossos resultados permitam uma reflexão sobre possíveis estratégias de intervenção no sentido de promover uma sexualidade bem vivida por esta faixa etária”. (15)
TERCEIRA IDADE NO DIVÃ: ENCONTRO DA SEXUALIDADE COM A PSICANÁLISE,
APRESENTADO AO TERCEIRO CONGRESSO DO ENVELHECIMENTO HUMANO
Este trabalho de Widigiane Pereira dos Santos Fernandes e Hermano de França Rodrigues, Universidade Federal da Paraíba, apresentado ao Terceiro Congresso do Envelhecimento Humano “tem como inovação investigar um drama romântico e realista, que não apresenta um casal no auge da jovialidade e nem das suas perspectivas de esperanças no futuro, nem trata da força e da vitalidade, mas busca entender o que se passa com um casal da terceira idade, cujo relacionamento caiu no vazio do cotidiano, entediante e assexuado.”
Durante a análise deste enredo buscaram “trazer à luz da psicanálise a visão do cinema que busca refletir em mimese a vida a dois nas suas peculiaridades, a terceira idade averiguada pela ótica dos problemas típicos da fase e um dos fatores mais sérios dentro deste contexto, as relações sexuais que envolvem homens e mulheres que, estão amadurecidos em tese, pois, muitos dos entraves e angústias estão relacionados a sexualidade, e as funcionalidades em um período da vida que para muitos causam estranhezas.”
Apontam que ainda temos em nossa sociedade muitos tabus a serem ultrapassados. “A psicanálise surge para dar respostas a essas angústias, no qual os indivíduos precisam da autoafirmação da sexualidade, para aceitarem de forma natural que o corpo muda, mas o desejo, o sexo, o amor continua com a sua latência e que a velhice não engloba o desmerecimento dos sentidos”
Como podemos lutar contra este estigma de que envelhecer é perder a sexualidade? Porque ter prazer durante o envelhecimento? E parafraseando o romance de Jean Paul Sartre, efetivamente, Qual seria a idade da razão?.
Partem os autores para a releitura de uma famosa obra cinematográfica.
A releitura do filme Um Divã Para Dois, de 2012 com os atores Meryll Streep e Tommy Lee Jones ambos na terceira idade, concebem um casamento de 30 anos que se diluiu com o passar dos anos, não existe contato físico e os diálogos estão resumidos à alimentação e felicitações cordiais, suas vidas estão voltadas para trabalho e tarefas domésticas, vivendo como colegas de quarto.
“Encontramos um casal como tantos outros, após criarem os filhos, se perdem no ostracismo, na resiliência da velhice, porém, temos uma reviravolta no enredo, pois, a mulher que a vida inteira viveu subjugada as suas tarefas domésticas, reivindica um lugar, além do quarto onde dorme, sua sensibilidade busca, almeja, pulsa em direção a renovação deste casamento, desta relação que se fragmentou com os anos, a trama vai desvendando aos poucos a necessidade que cada um tem, seus medos e angústias, demonstrações de como viver muitos anos ao lado de outro ser humano nos priva de sermos quem gostaríamos de ser, nossas dúvidas vão moldando os medos que guardamos do outro. Como podemos lutar contra este estigma de que “envelhecer é perder a sexualidade?”
Recorrendo a obra de Guita Grin Debert, “ A Reinvenção da Velhice”, sintetiza como é encarar o envelhecer na nossa sociedade:
“Não é fácil imaginar que o próprio corpo, cheio de frescor e de sensações prazerosas pode tornar-se lento, cansado, torpe. Não é possível imaginá-lo, nem no fundo se quer imaginar. Para expressar de outro modo: a identificação com os que estão envelhecendo e com os que estão morrendo está cheia de compreensíveis dificuldades para os que estão em outros grupos de idades. De uma maneira consciente ou inconsciente, as pessoas resistem por todos os meios à ideia de sua própria velhice e de sua própria morte”.
Mostram que a dificuldade de aceitação, vai além, “está marcado no corpo, na linguagem, nas perspectivas de relação, na escrita, no erotismo das relações, portanto, são processos naturais que vão se perfazendo durante o processo de envelhecer, comum a todos, mas não tolerado por muitos, a facilidade de aceitação para uns é motivo de tristeza e consternação para outros, entretanto, as possibilidades não esgotam os caminhos, e é nesta concepção que a natureza humana esboça as qualidades de superação.
Para a psicanálise, o declínio do próprio corpo nos faz sofrer, cria angústias, e estes sinais corroboram para males físicos e psíquicos.
“Tanto as mulheres, quanto os homens sofrem dos mesmos malefícios da fase adulta, por este motivo é proveitoso estabelecer diretrizes e parâmetros para analisar esses novos idosos” e lamentavam que “até a escrita deste projeto ( 2013) não constatamos protocolos que viabilizem conceitos a respeito do envelhecimento sexual, que possa averiguar questões que incomodam a expressão da sexualidade nos idosos”. (16)
ATITUDES SEXUAIS E IDADISMO NA TERCEIRA IDADE
A palavra idadismo, raramente usada no Brasil, mas comum no português de Portugal, consta do dicionário como: “nome (substantivo) masculino = atitude preconceituosa e discriminatória com base na idade, sobretudo em relação a pessoas idosas.”
Com isso, o título da Dissertação apresentada no Mestrado Integrado em Psicologia, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, por Lídia Sofia Pinto Oliveira, em Setembro 2012, fica mais aclarado.
O objetivo era estudar as atitudes sexuais e o “idadismo” na terceira idade, sobre uma amostra recolhida, constituída por 121 idosos com idades compreendidas entre os 65 e os 97 anos todos residentes em Portugal Continental, sendo a coleta dos dados obtida através da aplicação de um questionário referente a características sociodemográficas, bem como de duas escalas: Escala de Idadismo de Fraboni e Escala de Atitudes Sexuais.
Os resultados encontrados evidenciam que a prática religiosa, a idade e o sexo exercem influência na forma como os idosos se posicionam face à sexualidade. A prática religiosa e a idade também “parecem ter influência na perceção de idadismo postulada pelos idosos”.
Com aplicação bem apurada das técnicas da Estatística, o estudo mostra tabelas apresentando resultados observando todos os parâmetros matemáticos e estatísticos (medidas, posições, desvios, etc.), como mostrados nas tabelas de 1 a 11 (vide 17).
Após análise de cada resultado parcial, destacamos algumas conclusões da autora:
VIVER NA TERCEIRA IDADE: DIMENSÕES DE COMPONENTES COGNITIVOS E VALORATIVOS DE ATITUDES, IDENTIFICADAS EM PESSOAS DO SEXO FEMININO
Esta tese de Doutorado em Psicologia, do Dr. Lupércio Lutz de Oliveira, na UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – FFCLEPRP, em 2010, apresenta os resultados de uma pesquisa realizada com 210 mulheres, com mais de 60 anos, residentes no
Estado de São Paulo.
Ela não trata especificamente do tema sexualidade ou sexo, objeto deste TCC. Entretanto, pela profundidade e amplitude de temas abordados, a meticulosidade do método, e os resultados, decidimos incluÍ-la, pois cremos que o sexo e/ou sexualidade não está isolada do contexto social seja nos aspectos econômicos e culturais das pessoas .
Embora o auto se diz “ acreditando que o Estado precisa desenvolver e disponibilizar aos idosos uma rede de serviços capaz de assegurar seus direitos básicos de saúde, transporte, lazer e segurança, seja no âmbito familiar, ou junto à comunidade como um todo, … sendo necessário que as autoridades conheçam o perfil socioeconômico desses idosos, para que os poderes públicos cumpram definitivamente sua função”; seu estudo aborda amplo espectro de temas, como a demografia sobre os idosos, religiosidade, convívio social e envelhecimento feminino, adiciona referenciais teóricos desenvolvidos, inclusive as propostas por Fischbei AZJEN”, e, como em toda tese, um enorme referencial de obras e autores.”
Partindo de uma pesquisa piloto, com entrevistas pessoais seguindo o método do procedimento de livre enunciação, obtendo o levantamento de conteúdo para composição de conglomerados com base na análise tipológica de McQuitty, como é procedimento usual nesses tipos de pesquisa.
Obtida a lista de locuções remanescentes, composta de 55 locuções, aplicou o cálculo das entropias para a composição de conglomerados. Por demais extensa e detalhada, inclusive quanto ao método e demonstrações estatísticos, deixamos de reproduzir.
Cremos, neste nosso trabalho, ser relevante apenas indicar as locuções consideradas e medidas, e o seu agrupamento:
CRENÇAS TELEOLÓGICAS/ESPIRITUALIDADE
Acreditar em Deus
Viver com Deus
Acreditar em Deus e na vida
Ter fé em Deus
SOCIALIZAÇÃO/CONTINUIDADE
Dar graças a Deus por chegar a essa idade
Gostar de fazer amizades
Gostar de divertir-se
Ter disposição para fazer as coisas diárias
Viver bem com os vizinhos
CONDIÇÕES DE VIDA/SOBREVIVÊNCIA
Viver com saúde
Ser saudável
Ficar feliz por não ter doenças
Ter condições econômicas para viver
Não ter problema de saúde
SABEDORIA/AMPARO
Ter amor à família
Ter conhecimento
É uma graça divina
Ajudar filhos e netos
TRABALHO/ATIVAÇÃO
Ocupar-se de atividades manuais
Fazer trabalhos manuais
Aprender com a idade
Trabalhar
CONVÍVIO FAMILIAR
Ter amor aos filhos e parentes
Ser feliz com parentes e filhos
Viver bem, com filhos, netos e parentes
LAZER/DIVERSÃO
Ir ao cinema
Passear
DIREITOS/CIDADANIA
Não ter maus hábitos
Ter liberdade de ir e vir
DESUMANIDADE/VIOLÊNCIA
Perceber que falta Deus na vida das pessoas
Ter medo das violências existentes
A partir daí, na Tese é feita a Análise de Quadrantes sobre os itens pertencentes às dimensões obtidas, que podem ser analisados na tese publicada, o que seria detalhamento. E o autor conclui “As pessoas idosas têm procurado cada vez mais ajuda no sentido de promover seu bem estar, melhorando sua qualidade de vida. Percebe-se também as dificuldades que estas pessoas têm para reconhecer, talvez pelo modo de vida que tinham quando novos, que a participação em grupos, como os formados pelo Programa de Integração Comunitário, possam ajudar e amenizar dificuldades no convívio social”.
E essa conclusão vai ao encontro do que sempre se propõe a UATI.
(18)
EDUCAÇÃO SEXUAL NA TERCEIRA IDADE: REVISÃO DE LITERATURA
Incluímos este trabalho de Regilene Gilmara de Santana, Maria Bethânia de Albuquerque Chagas e Carla Suzana Balbino Da Silva Miranda por ser uma revisão bibliográfica por meio de levantamento retrospectivo de artigos científicos publicados de 2008 a 2011, “através de estudos indexados nas bases de dados LILACS, MEDLINE e SciELO”. Utilizaram as palavras como descritores, de forma associada: “ idoso, educação e
Sexualidade, incluindo todos os tipos de desenho de estudo e estudos que abordassem sobre sexualidade e envelhecimento, que estivesse publicado em português.
Como resultado, encontraram 248 artigos, dos quais 36 haviam sido publicados em português. Desses, 23 estavam disponíveis como texto completo nas bases de dados pesquisadas. Apenas10 artigos satisfizeram todos os critérios de inclusão propostos no presente estudo.
O que destacamos é que, considerando a importância demográfica dos idosos, da aparente “preocupação social”, e diversos e insistentes “discursos e declarações” – na política, na academia, nos meios de divulgação, etc. – na verdade, a quantidade de estudos qualificados é ainda muito pequena diante da enormidade da problemática.
A função da inclusão deste trabalho é dar ciência dos temas publicados e dos assuntos sobre sexo e idosos que foram abordados, sendo, portanto, fonte para consulta e referência :
Estes são alguns temas abordados nas publicações analisadas:
SENTIDOS DE SEXUALIDADE ENTRE IDOSAS: DISCUTINDO PARTICIPAÇÃO, EMANCIPAÇÃO E GÊNERO.
Em 2014, no PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA, no MESTRADO EM PSICOLOGIA, da FACULDADE DE PSICOLOGIA da UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS, a Prof Mestre Estephânia de Lima Oliveira defendeu a Dissertação sob o titulo acima, propondo-se a analisar e compreender os sentidos da sexualidade atribuídos por idosos usuários de um Centro de Atenção Integrada de Manaus-Am.
Pretendia, assim, compreender os sentidos da sexualidade desses idosos e analisar de que maneira os processos de construções sociais influenciam nos sentidos constituídos pelos idosos e suas articulações existentes entre a história de vida dos idosos e os sentidos produzidos sobre Sexualidade.
Usaram a técnica de História de Vida, e posteriormente criado um corpus e análise e a técnica de análise denominada núcleos de significações para a compreensão dos sentidos.
Os dados estão articulados em duas seções, conforme os objetivos específicos da pesquisa, resultando um total de 07 núcleos de significações. Os núcleos identificados foram expressos:
Registre-se ainda a discussão de temas como “namoro na terceira idade; sexo na terceira idade; masturbação, principalmente no contexto das mulheres que tem historicamente sua sexualidade reprimida e silenciada”.
O estudo não apresenta uma conclusão ou síntese, apenas interpreta o significado dos núcleos encontrados, e considera satisfatório esses resultados.
Porém, algumas afirmações parecem conclusivas, como os sentidos serem pautados pelas relações socialmente construídas pelos modelos de gênero. Até mesmo, as idosas que evocam que ainda sentem desejo sexual, não se permitem vivenciar novas experiências. Pois as mesmas consideram que não possuem marido, ou que tem que haver estabelecimento de vínculos afetivos, correlacionados a sentimentos
como carinho, companheirismo e amizade, não se limitando ao ato sexual. Em outras palavras, as relações de curto prazo ou com parceiros mais jovens, ainda não são percebidas como um aspecto possível, como muitos homens se dão essas possibilidades.
Sugerem que o psicólogo, ao se inserir em instituições que trabalham com idosos, deve ter uma escuta sensível e, ao perceber idosos com as demandas semelhantes às evidenciadas neste estudo, buscarem discutir temáticas como: namoro na terceira idade; sexo na terceira idade; masturbação, principalmente no contexto das mulheres que tem historicamente sua sexualidade reprimida e silenciada.
Os processos de construção social influenciaram na produção de sentidos das idosas, este se encontra constituído ainda pela visão higienista do sexo, imbricado de moralidade, envolto a estereótipos sociais e
opressão, que influenciam para que as idosas não possam manifestar livremente sua sexualidade.
Ressalta-se ainda, que estas idosas foram criadas dentro de um contexto histórico, em que, qualquer expressão da sexualidade feminina era contida e inviabilizada. Entretanto, seus discursos revelam a busca por um parceiro fixo e o desejo de se possibilitar vivenciar a paixão e o amor na terceira idade.
Diante dos resultados a autora faz uma série de recomendações aos psicólogos em trabalho com idosos.
Esperando que o estudo, possa fortalecer o psicólogo que atua na psicogerontologia promovendo tomada de consciência para o rompimento do fatalismo entre os discursos dos idosos que preferem anular-se por acreditar que, porque estão idosos não podem mais gozar de todos os aspectos da vida.
(20)
O SENTIDO SUBJETIVO DA SEXUALIDADE NA TERCEIRA IDADE
Utilizando-se do Método Qualitativo, a Dissertação de Mestrado de Ana Velasco Remigio Coelho, apresentada perante a Banca do curso de Mestrado em Psicologia, na UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS, em 2006, objetivou compreender a constituição do sentido subjetivo da sexualidade na terceira idade, “baseando-se na teoria da subjetividade de González Rey e na psicologia histórico-cultural de Vygotsky”.
Através da dinâmica de conversação e o “completamento” de frases, observou que a sexualidade na terceira idade está implicada com os sentidos subjetivos gerados pelo sujeito ao longo de sua vida, podendo ser experimentada como: saúde, autoestima, realização pessoal, afetividade e companheirismo, naturalização do declínio do desejo sexual ou até mesmo exclusão da atividade sexual. Concluiu que o processo de desenvolvimento da sexualidade na terceira idade é singular.
Interessante a construção: “ a velhice é jovem porque, tanto científica como socialmente falando, é o período etário menos documentado, ou sobre o qual dispomos de menos conhecimentos.”
Analisa os aspectos demográficos do envelhecimento populacional e constata a percepção da sociedade para essa nova realidade e a necessidade de estudos subsidiarem intervenções sociais que possibilitem melhorias na qualidade de vida dos idosos.
O Estudo desta dissertação teve como objetivo geral produzir conhecimento sobre “processos de produção de constituição de sentidos subjetivos da sexualidade na terceira idade”. Após a exposição de diversos autores sobre o tema e sobre a técnica de pesquisa adotada, a autora “considera possível construir indicadores que revelaram a diferença dos sentidos subjetivos de cada sujeito participante quanto a sua sexualidade, respeitando-se a história individual, idiossincrática de cada um” (Foram quatro os elementos da Amostra). Os sujeitos participantes falaram da constituição de sua sexualidade sem demonstrar constrangimento, ou seja, vêem e lidam com a sexualidade com muita naturalidade. Mas a sociedade persiste em acreditar no mito de que todo idoso é assexuado. Também devido à repressão sofrida pelo ser humano ao longo dos séculos sobre a sexualidade foram gerados muitos preconceitos, mitos, tabus e atitudes negativas .Concluíram ao longo do trabalho, que “a sexualidade é mesmo um fenômeno multidimensional, onde existem interconexões múltiplas, os aspectos físicos, psicológicos e sociais são interdependentes, dessa maneira cada sujeito participante na sua singularidade e historicidade desenvolveu sua própria forma de vivenciar sua sexualidade conforme suas subjetivações no decorrer de sua história. Compreenderam também que as “expressões de afeto, carinho, sensação de aconchego, capacidade de amar e o desejo por intimidade não acabam em nenhuma idade, e que podem ser realizados por toda a vida e sua manifestação é vital para o desenvolvimento das pessoas de mais idade, proporcionando-lhes auto estima e realização pessoal.” .
Outros sentidos da sexualidade como afetividade, auto-estima e companheirismo, podem fazer parte desta etapa de vida, dependendo do próprio sujeito, de sua subjetivação ao longo de suas experiências.
E conclui: “ a naturalização do declínio do desejo sexual, pelo contrário, ou até mesmo exclusão da atividade sexual, (como nos outros casos) nos leva a concluir que mitos, preconceitos e tabus são muitas vezes assumidos pelas pessoas, dificultando que desenvolvam sua sexualidade na velhice.”
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SEXO E SEXUALIDADE NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
Valeria Alves da Silva Nery, Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS- UESB).Mestre em Enfermagem e Saúde. Bacharel em Enfermagem. Docente do Departamento de Saúde da UESB e Tatiane Dias Casimiro Valença, Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS- UESB). Mestre em Enfermagem e Saúde. Bacharel em Fisioterapia. Docente do Departamento de Saúde da UESB publicaram artigo na C&D-Revista Eletrônica da Fainor, Vitória da Conquista, v.7, n.2, p.20-32, na edição de julho/dezembro de 2014.
Observando uma comunidade de idosos do Grupo de Terceira Idade Jesus Mediador e com idosos da Fundação Leur Brito, localizados no município de Jequié, concluíram pela necessidade dos mesmos quanto à orientação sobre a sexualidade desses grupos e, portanto, a necessidade de investigar a representação da sexualidade do idoso, visando analisar como o idoso percebe a prática sexual, o corpo, o desejo, a libido, os preconceitos e tabus.
“O que os idosos pensam acerca da sexualidade na velhice?” parece ter sido o questionamento básico e partiram do pressuposto de que “embora a sexualidade seja algo inerente à vida e à saúde, manifestada desde o nascimento do ser humano até a morte, este é um assunto cheio de discriminação e preconceitos, principalmente, quanto à sexualidade do idoso.”
Registrando enunciados de vários autores, o estudo teve como objetivo geral “analisar as modificações que ocorrem no campo de sexo e sexualidade entre idosos em seu processo de envelhecimento” Especificamente, pretenderam “averiguar se os idosos continuam tendo vida sexual ativa e identificar a ocorrência modificações na sexualidade e nas práticas sexuais em idosos.”
Quanto ao Método foi utilizado o de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, realizado a partir de pesquisa bibliográfica integrativa, procurando explicar um problema com base em referências teóricas já publicadas, entendendo que esse método “possibilita a síntese do conhecimento de um determinado assunto”.
Assim, seguindo o Método, elas estabeleceram a questão norteadora e efetuaram a seleção dos artigos fixando critérios de inclusão e a extração dos artigos incluídos na revisão, a avaliação dos estudos incluídos, as interpretações dos resultados, e apresentação da revisão integrativa.
Segundo afirmam no estudo, identificaram um questionamento comum que surgiu durante as leituras sobre a temática, que é: “ de que maneira a sexualidade e a prática do sexo são vistas por sujeitos idosos e como orientá-los a repensar sua sexualidade?”.
Causou-nos espécie na afirmação acima que no “questionamento” ou indagação do estudo (“de que maneira a sexualidade e a prática do sexo são vistas por sujeitos idosos”), já inserem uma intenção a priori, propósito antecipado de alteração no comportamento da Amostra (“orientá-los a repensar a sua sexualidade). Ora, se de antemão há o propósito de orientar alguém a repensar, é sinal deque já conhece o que ele pensa. E, se já conhece o que ele pensa, não se justifica a indagação. Por uma lógica elementar, parece que a proposta é pouco cientifica.
As fontes consultadas foram: Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature and Retrieval SystemOnline (Medline) e Scientific Eletronic Library Online (SciElo).
Registramos em forma de tópicos sintetizando o que as autoras, no seu trabalho de coleta de dados secundários, registraram como significativo dos artigos analisados, e deixamos de citar os autores (que poderão ser conhecidos verificando-se a publicação):
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VIVÊNCIAS AFETIVAS NA TERCEIRA IDADE NUM CONTEXTO INSTITUCIONAL
lho de Raquel Filipa Rodrigues Silva, para o II Ciclo de Estudos em Gerontologia Social Aplicada, da Faculdade de Ciências Sociais, da Universidade Católica Portuguesa – Centro Regional de Braga, integra o processo de fundamentação teórica onde se procurou analisar a vivência afetiva em idosos que se encontram em instituições. Este trabalho difere um pouco dos demais por esta característica do grupo estudado.
Em termos gerais, apresenta a revisão de literatura, onde se abordou alguns aspetos relacionados com a aproximidade do envelhecimento, as respostas sociais ao envelhecimento da população e a afetividade na terceira idade.
A partir daí foi implementado um estudo empírico que decorreu em três Instituições, do Conselho de Vila Nova de Famalicão, que recebem pessoas idosas, de maneira quantitativa e qualitativa.
Os estudos permitiram perceber a importância dos afetos para os idosos, suas necessidade, não apenas de(receberem) afetos, mas também de poderem expressar, livremente, os seus afetos.
Como em outros estudos aqui descritos, este também verificou que a afetividade, para os elementos inquiridos que lidam com idosos significa carinho, amizade, companheirismo, apoio e compaixão; para os entrevistados idosos que participaram no estudo, a afetividade está relacionada com dar carinho às outras pessoas e entendem que as manifestações de carinho devem existir em todas as idades.
Entretanto, no nível da instituição onde se encontram não são impedidos de manifestar a sua afetividade.
A partir da análise dos estudos de diversos autores, e da atividade prática, a autora analisa a situação sob os seguintes enfoques da problemática do envelhecimento: Enquadramento Teórico, Envelhecimento e a Velhice: Conceitos, A Velhice enquanto Processo Social, Caminhos Do Envelhecimento, Crenças e Mitos no Envelhecimento, Estereótipos do Envelhecimento, Respostas Sociais ao Envelhecimento e A Afetividade na Terceira Idade.
Partindo do pressuposto da existência de poucos estudos relativos à vivência e expressão da afetividade dos idosos em particular quando estão institucionalizados, focaram o estudo (a pesquisa) nessa condição dos idosos.
“Perceber a importância dos afetos num grupo de pessoas com idade avançada”; ”Identificar quais as vivências afetivas para os idosos institucionalizados”; “ Conhecer a percepção da afetividade nos idosos” ; “Conhecer em que medida a institucionalização condiciona a afetividade no idoso”.
E, o que tem de diferencial neste estudo é a inclusão como Amostra de colabores da entidade, com o objetivo especifico de “Identificar quais são as vivências de afetividade para os idosos na perspectiva dos colaboradores” .
Resultados do estudo –
Entrevistados 58 elementos participantes colaboradores nas três instituições, tinham por perfil: com idade que variavam de 20 a 50 anos, 97% mulheres e 3% homens, 58% casados, 33% solteiros, 5% divorciados e 4% viúvos. 69% são praticantes quanto à religião e 31% são não praticantes, e profissionalmente 62,5%, são auxiliares de ação direta, 12,5% são auxiliares de serviços gerais, 7,1% são de geriatria.
Quanto ao tempo de serviço 27,3% trabalham há 2 anos na instituição respectiva; 14,5% trabalham há um ano e meio; 10,9% há dois anos e meio. 82,8% têm contacto com pessoas idosas. E quanto a natureza do contato com os idosos, 75% têm contacto pessoal e 25% têm contacto pessoal e profissional, sendo que 56% têm contacto pessoal/ familiar todos os dias, 36% têm contacto pessoal/ familiar todas as semanas, e 8% têm contacto profissional todos os dias.
Solicitaram a essa amostra mostra que caracterizassem o idoso em três palavras. Os inquiridos podiam escolher entre: Sabedoria; Experiência; Respeito; Carente; Vivências; Dependência; Valores; Frágil; Egoísta; Pessoa vulnerável; Teimoso; Digno; Fragilidade; Identidade; Velho; Impaciente; Importante; Perda de Capacidades; Solidão; Assume o passado como referência; Critico; Doença; Paciência; Senil; Beleza Interior.
Interessante o resultado: Associado ao conceito de Idoso, as palavras mais referidas são sabedoria (por 45%) e experiência (por 40%), seguidas de respeito (por 17%), carente e vivências (cada por 15,5%). Note-se as ausências de aspectos físicos.
Associado ao conceito de Solidão, as palavras mais referidas são tristeza (por 53%), seguida de abandono (por 38%), isolamento (por 36%) e vazio (por 33%), e depois de sentir-se só (24%).
Associado ao conceito de Amor, as palavras mais referidas são carinho (por 45%) e afeto (por 38%), seguidas de cumplicidade (por 29%) e compreensão (por 28%), depois de paixão (por 17%).
Associado ao conceito de Afetividade, as palavras mais referidas são carinho (por 48%), seguida de amizade (por 33%), de companheirismo (por 22%) e apoio e compaixão (cada por 15,5%).
Essa amostra foi submetida a uma bateria de afirmações e solicitada a definir, entre as opções: “Discordo Totalmente”; “Discordo”; “Nem Concordo Nem Discordo”; “Concordo”; “Concordo Totalmente”.
Essa tabela retrata a opinião não dos idosos, mas das pessoas que atuam junto deles, conforme a qualificação acima;
As colunas com os dados numéricos, numeradas de I a V, correspondem a:
difícil do que o relacionamento com os jovens 58 2,64 1,05 40% 1 5
como encaram o envelhecimento e a velhice 58 4,10 0,87 21% 2 5
com o presente 58 3,90 0,64 16% 2 5
relacionar emocionalmente 57 1,75 0,81 46% 1 4
A etapa seguinte do estudo foi através de entrevistas individuais, com a abordagem técnica de História de Vida, com os idosos residentes nessas entidades.
A autora reproduz (a síntese) de cada uma das entrevistas, entretanto, não apresenta uma análise do conjunto das respostas e nem apresenta uma conclusão. Em vista disso, deixamos de reproduzir o registro das entrevistas e nem apresentamos qualquer conclusão, por não nos caber. Os textos estão no corpo da tese, localizável na internet, com os indicativos nas NOTAS.
TERCEIRA PARTE
UMA PEQUENA AMOSTRA DO COMPORTAMENTO E OPINIÕES DAS MULHERES 60+
Nesta fase final do trabalho procuramos obter um dado primário, através de uma pesquisa.
O Método foi a constituição de uma Amostra com mulheres de com mais de 59 anos, e a aplicação de um questionário breve, com perguntas de respostas abertas e fechadas. Os resultados quantitativos foram tabulados e extraídos os valores percentuais para as ideias de grandeza. Os resultados das respostas abertas foram processados, aplicando-se o método de agrupamento de conceitos.
Eis os resultados.
AMOSTRA
A Amostra foi constituída por 28 respondentes, todas mulheres, com mais de 59 anos.
O perfil da Amostra está expresso nas Tabelas e Gráficos seguintes:
| Tabela 1 | ||
| Distribuição da Amostra por idade | ||
| até 65 | 8 | 29% |
| 66 a 70 | 11 | 39% |
| 71 a 75 | 3 | 11% |
| 76 a 80 | 2 | 7% |
| 81 a 85 | 3 | 11% |
| 86 e + | 1 | 4% |
| 28 | 100% | |
A maioria é de mulheres nascidas entre 1948 e 1952 e entre 1953 e 1958. As demais, 32%, nasceram antes desses anos. Portanto, todas elas foram contemporâneas dos acontecimentos mencionados no primeiro capítulo, ocorridos na segunda metade do século XX, por isso o destaque que demos naqueles capítulos.
A nacionalidade e o tempo de vida em uma cidade, em nossa opinião, influenciam o comportamento e o modo de pensar das pessoas, fruto da influência cultural do meio. A Amostra é integralmente de brasileiras e todas residentes há mais de seis décadas em São Paulo. Esse, portanto, é o meio cultural da Amostra.
| Tabela 2 | ||
| Nacionalidade | ||
| Brasileira | 27 | 96% |
| N/R | 1 | 4% |
| 28 | 100% | |
| Tabela 3 | ||
| Tempo de vida em São Paulo | ||
| Até 65 | 14 | 50% |
| 66 a 70 | 7 | 25% |
| 71 a 75 | 4 | 14% |
| 76 a 80 | 1 | 4% |
| 81 a 85 | 1 | 4% |
| 86 e + | 1 | 4% |
| 28 | 100% | |
Sòmente um quarto das mulheres entrevistadas está casada, portanto, presumidamente têm vida conjugal. Somam-se a elas 7% de solteiras que têm companhia (formam casal).
Assim, um terço da amostra tem convívio conjugal, contra dois terços que não tem. Isso dá um quadro da situação da Amostra.
| Tabela 4 | ||
| Situação | ||
| CASADA | 7 | 25% |
| VIUVA | 14 | 50% |
| DIVORDIADA | 3 | 11% |
| SOLTEIRA COM CIA | 2 | 7% |
| SOLTEIRA SEM CIA | 1 | 4% |
| N/R | 1 | 4% |
| 28 | 100% | |
Quanto ao tempo em que essas mulheres estão casadas, o resultado mostra uma curva de Gauss anormal.
Nas três classes inferiores (menor tempo de casadas = 1 a 15 anos) estão 43% das mulheres. E nas três classes superiores (maior tempo de casadas = mais de 41 anos) estão 37% das mulheres.
Esse resultado poderia ser consequência de dois fatores: a longevidade da amostra (mais de um terço com mais de setenta anos) e a eventualidade de união em segundas núpcias. Como não foi específicamente perguntado, colocamos isso apenas como uma hipótese.
| Tabela 5 | ||
| Tempo de casada | ||
| 1 a 5 anos | 3 | 16% |
| 6 a 10 anos | 2 | 11% |
| 11 a 15 anos | 3 | 16% |
| 16 a 20 anos | 0 | 0% |
| 21 a 25 anos | 0 | 0% |
| 26 a 30 anos | 0 | 0% |
| 31 a 35 anos | 2 | 11% |
| 36 a 40 anos | 2 | 11% |
| 41 a 45 anos | 4 | 21% |
| 46 a 50 anos | 2 | 11% |
| 50 anos e + | 1 | 5% |
| Total de respostas | 19 | 100% |
Já no terreno das opiniões, procuramos saber da Amostra como as participantes consideravam o sexo na terceira idade, tão comentado por muitos e tão explorado nos meios de comunicação.
Nessa resposta presumimos a resultante cultural da vivência numa metrópole por tantos anos, como apontado, onde esses temas são tratados mais abertamente, onde a sociedade é menos conservadora do que em cidades mais afastadas, mais conservadoras, apesar dos meios de comunicação atingir a todas indistintamente.
Esclareça-se que a pergunta refere-se a “abstração “, ou seja, em “pensar em”, e não praticar.
A totalidade da Amostra opina ser natural que mulheres com mais de 60 anos pensassem em sexo.
Uma interpretação projetiva dessa resposta diria que – senão a totalidade mas a grande maioria das entrevistadas – pensam com naturalidade em sexo,
| Tabela 6 | ||||
| P 6 – Na televisão, nas rádios, nas revistas e mesmo entre as pessoas se tem falado muito, e com muita naturalidade, sobre o sexo na terceira idade. Em sua opinião, a senhora acha que: | ||||
| Seria natural que mulheres com mais de 60 anos não deveriam nem pensar em sexo. | 0 | 0% | ||
| Seria natural que mulheres com mais de 60 anos pensassem em sexo. | 27 | 96% | ||
| Não respondeu | 1 | 4% | ||
| 28 | 100% | |||
Saindo do terreno abstrato (pensar) para o terreno concreto (fazer) , perguntamos qual a opinião da Amostra sobre “pessoas” com mais de 60 anos fazerem sexo, acrescentando um adjetivo para “amenizar” a questão, ou seja, perguntamos sobre pessoas “casadas”.
A tendência se manteve, já que ninguém respondeu que “depois dos 60 anos as pessoas normais, mesmo casadas, não fazem mais sexo”. Entretanto, já aparecem (11%) os casos de ausência de respostas.
| Tabela 7 | |||
| P 7 – Em sua opinião, a senhora acha que: | |||
| É normal ou natural pessoas casadas com mais de 60 anos fazerem sexo. | 25 | 89% | |
| Depois dos 60 anos as pessoas normais, mesmo casadas não fazem mais sexo. | 0 | 0% | |
| Não respondeu | 3 | 11% | |
| 28 | 100% | ||
Aprofundando mais a questão, acrescentamos dois novos elementos ao substantivo mulheres: “viúvas” e/ou “solteiras”, para caracterizar uma relação não matrimonial ou não marital, acrescentando e indefinindo “com algum companheiro”, com isso despojando da figura do sexo “com o marido”.
A Amostra manteve a mesma posição, pois a quase totalidade (93%) consideram natural que mulheres viúvas ou solteiras, com mais de 60 nos, possam fazer sexo com algum companheiro. Projetivamente se poderia (não necessariamente se pode) adotar a mesma conclusão para o comportamento pessoal.
| Tabela 8 | |||
| P8 -Em sua opinião, a senhora acha que seria natural mulheres viúvas ou solteiras, com mais de 60 nos, poderem fazer sexo com algum companheiro. | |||
| Sim | 26 | 93% | |
| Não | 1 | 4% | |
| N/R | 1 | 4% | |
| 28 | 100% | ||
Como anteriormente colocou-se a questão entre sensualidade e sexo, e a Amostra já havia se posicionado nesta questão, perguntamos se uma mulher com mais de 60 anos ainda pode ser sensual para alguém?
Mais uma vez encontramos a quase unanimidade: 96% acham que sim.
Destacamos que um quarto da amostra tem mais de 70 anos, e projetivamente, as mulheres nessa faixa etária se incluem nessa condição, ou seja, podem sim ser sensual para alguém.
| Tabela 9 | |||
| P 9 – Em sua opinião, a senhora acha que uma mulher com mais de 60 anos ainda pode ser sensual para alguém? | |||
| Sim | 27 | 96% | |
| Não | 0 | 0% | |
| N/R | 1 | 4% | |
| 28 | 100% | ||
Com relação à opinião da Amostra sobre a “prática” sexual, perguntamos sobre a frequência com que praticam sexo “ as mulheres com a sua idade e com as suas mesmas condições fazem sexo, ou sexo, a formulação da pergunta indicava claramente quem seria o personagem da questão.
Quase a metade a Amostra (43%) respondeu que a prática do sexo seria “semanal”, 29% mensal. E um quarto da Amostra apontou frequência entre trimestral e anual ou menos.
Cruzando os dados da Amostra de idade e condição (que são reais) não podemos afirmar que estes dados (opinativos) permitem uma interpretação projetiva direta. Pois esta resposta poderia refletir tanto a sua realidade factual quanto a sua realidade ideal (idealizada) .
| Tabela 10 | |||
| P 10 – Em sua opinião, a senhora acha que mulheres com a sua idade e com as suas mesmas condições fazem sexo: | |||
| Toda semana | 12 | 43% | |
| Todo mês | 8 | 29% | |
| Cada 3 meses | 2 | 7% | |
| Uma ou duas vezes ao ano | 5 | 18% | |
| N/R | 1 | 4% | |
| 28 | 100% | ||
Respostas Abertas
Significado de SEXO
Pedimos à Amostra a sua opinião sobre SEXO e, posteriormente, sobre SEXUALIDADE. Quando ao responder a primeira questão, a Amostra já sabia da segunda pergunta. Dessa forma, poderiam distinguir a priori a existência de duas palavras a considerar.
Com relação a SEXO, as respostas, segundo nossa análise, se dirigiram a 3 principais vertentes: o Sexo relacionado a questões de Gênero, o SEXO relacionado a ato material/físico, o Sexo como transcendendo do ato físico.
Curioso é que as opiniões foram divididas quase que igualmente entre essas três vertentes, ou seja, não há uma predominância de nenhuma delas.
O Sexo relacionado a questões de Gênero
Evidentemente, com diferentes nuances, este conjunto de opiniões associa o sexo à característica biológica de gênero, ou seja, homem/mulher, masculino/feminino, e o sexo é a sua relação física. Numa variável das respostas, fica implícita a consequência da relação (ato) natural , ou seja, prazer e uma dupla finalidade quando entre gêneros distintos: a reprodução. Isto não quer que excluem, mas distinguem.
Há, entretanto, as opiniões que podem ser consideradas inclusivas quanto ao gênero tanto no aspecto social, quanto no aspecto homossexual:
O Sexo relacionado ao Ato Material
A outra vertente de opiniões associa o sexo primordialmente ao ato, ao ato físico, a materialidade do ato em primeiro lugar. Não negam outros sentidos ou sentimentos associados, mas são adjetivos, pois o substantivo para sexo é o ato físico da relação:
Sexo é o ato de se relacionar intimamente.
Transcendência do Ato sexual
O terceiro grupo de opiniões aborda o sexo através de sua transcendência não física ou biológica. Ele está associado à sentimentos, portanto, ato físico, sim, mas que conduz e se justifica por abstrações sentimentais: amor, carinho, afinidade, compreensão, abdicação, paixão, companheirismo. Esses sentimentos são valorados de tal maneira que, sendo adjetivos, podem prescindir do substantivo: obtenção/satisfação sem a “necessidade do sexo propriamente dito”. Interpretamos que essa transcendência está sim associada a passagem do tempo e suas consequências.
Outros
Fora desse contexto há opiniões mais introspectivas ou egocêntricas :
Respostas Abertas
Significado de SEXUALIDADE
O Significado de Sexualidade para a amostra é bastante amplo. É entendida tanto como algo inerente à vida, uma força impulsionadora ou motivadora, como uma forma ou maneira de comportamento individual. É vista também de uma forma mais objetiva como sendo a busca do prazer. Ou de forma mais subjetiva, como sentimentos associados ao desejo ou impulso sexual.
Para efeito de análise, compusemos cinco núcleos de respostas, sintetizados nas palavras:
Natural força motivadora,
Comportamento,
Busca do Prazer
Desejo
Sentimento
Natural força motivadora
Neste núcleo incluímos as respostas que indicam ser a sexualidade inerente à pessoa, ou à vida, quase como no sentido biológico (embora não expressado com este termo). Neste sentido, não é uma escolha individual ter ou não ter sensualidade, pois ela faria parte da própria natureza da pessoa. Neste núcleo encontramos ainda a ideia de que a sensualidade seria como uma força motivadora para o ser humano. Motivadora para comportamentos como busca do amor, busca do contato, busca da intimidade, e até mesmo busca para compreender-se. Há um certo sentido de imaterialidade e de infinitude visto que a ela não se associa necessariamente atos físicos, ao mesmo tempo em que se assume a sua permanência
Comportamento
Neste núcleo entendemos que as respostas se referem a sexualidade como uma forma de expressão, uma expressão da personalidade já que se manifesta de maneira diferenciada para cada um. Dessa forma, sendo o comportamento expressão da personalidade, escolhemos esta palavra para definir .
De fato, este conjunto de respostas remete o sentido de sua interpretação para a maneira como as pessoas agem (portanto, se comportam), tendo como elemento referencial o sexo. Porém, não o ato sexual, necessariamente, pois “a pessoa pode ser sexy sem atividade sexual”. Tentando uma interpretação talvez a nossa sexualidade esteja mais relacionada ao que os “outros” (os que nos observam) percebem ou sentem a nosso respeito, do que uma atitude consciente e objetiva que adotamos em nosso comportamento.
Busca do prazer
Este núcleo de resposta é bem mais claro na sua expressão. A sexualidade tem a ver com a busca do prazer em si mesmo. As variações referem-se à qualificação ou forma dessa busca de prazer. Essa busca pode ser pelo (ou através) do sexo oposto, ou pelo próprio corpo. Pode ser pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo (hetero ou homossexual). Pode ser pelo ato físico do sexo, como também por gestos, palavras, comportamento, pensamentos e sensações. Ou seja, qualquer que seja o meio, se busca o prazer, é sexualidade.
Desejo
As opiniões deste Núcleo podem ser interpretadas como sendo a sexualidade o desejo de praticar o ato sexual. Desejo, impulso, motivação são variáveis semânticas para o mesmo sentido. E a consequência do ato sexual é isso mesmo: consequência. Seja orgasmo, prazer ou amor, pois para esta concepção, segundo os modelos motivacionais, o incentivo para essa motivação é a união carnal.
Sentimento
Neste núcleo estão as opiniões mais transcendentes sobre a sexualidade, as que se abstêem do ato sexual e derivam para aspectos do sentimento, como “vontade para amar”, ter alguém junto de si. Parecem excluir o sexo (substituindo-o por amor): “sexualidade só com amor”.
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