Literatura

ESTAS VERDADES

A História da Formação dos Estados Unidos

de Jill Lepore

 

 

Jill Lepore

 

 

No Natal ganhei “Estas Verdades” do Luciano Lopes (meu sobrinho/afilhado/adotivo/postiço), com o comentário de que ele havia gostado e achou que eu também gostaria. Não consegui desgrudar do livro até concluir a leitura das 863 páginas do texto (há ainda umas 250 páginas de “notas”) nos primeiros dias de 2022. Ele tinha razão. Prova de que gostei. E gostei muito. Mas criou um problema: tento fazer resenhas do que leio – vício contraído no Clube de Leitura do Clube Sírio. Como fazer resenha de obra tão gigantesca? E gigantesca é a biografia da jovem (nascida em 1966) da autora: Graduada, Mestrada e Doutorada pelas mais importantes Universidades Americanas, é Professora de História Americana e de Direito na Universidade de Harvard. Autora de diversos livros, traduzidos para uma dezena de línguas, atestando sua representatividade acadêmica universal. É jornalista, e ensaísta (abordando os mais diversos temas como comissões de motim racial, policiamento, censo, declínio da democracia, e outros), uma das maiores pesquisadora da Constituição Americana e das tentativas de emendas, construtora do maior arquivo on line de textos de propostas de emendas desde 1787 até 2020, detentora de vários Prêmios: Prêmio Hannah Arendt de Pensamento Político, finalista do National Book Award, Prêmio Revista Nacional, duas vezes para o Prêmio Pulitzer; e vencedora do Prêmio Anisfield-Wolf, para o melhor livro de não-ficção sobre raça. Ela foi eleita para a Academia Americana de Artes e Ciências e para a Sociedade Filosófica Americana. (*)

Atrevimento é pretender escrever sobre tal obra e personalidade. Mas pressionado pelo auto compromisso e a gratidão pelo presente recebido, arrisco uns comentários:

 

A quantidade de fatos, eventos, situações, personagens, decisões, normas e leis descritas nos 528 anos de história transcorridas desde o início até os dias de hoje é magnífica. São analisadas inúmeras as situações sociais, e mesmo circunstanciais, e ainda as características das personalidades dos personagens que construíram a História americana com as conseqüências decorridas.

 

Pareceu-me que o foco da autora recai sobre os aspectos fundamentais da História dos Estados Unidos, através da análise objetiva do que pode ser efetivamente ciência História, ou seja, documentação, registros, fatos comprobatórios. Contrariamente a certa tendência atual de escritores sobre história, não necessariamente historiadores, de romancear ou ainda interpretar e opinar, o trabalho de Jill Lapore é cru e rígido, notando-se o autocontrole em não opinar nem julgar, apontando as coerências e as incoerências (e que não são poucas), porém baseada numa documentação irrepreensível (milhares de notas bibliográficas).

 

Creio que a História dos Estados Unidos é analisada por Jill Lapore sob aspetos específicos, mas não independentes. Percebe-se a análise sobre os eixos:

  1. Política
    1. As reuniões, assembléias, congressos e demais ações políticas para a construção das Declarações dos Direitos, da Constituição Federal dos Estados Unidos da América e das constituições Estaduais dos Estados
    2. Os ideários políticos (e não são apenas os “belos ideários de liberdade”, mas os reais ideários que contém a escravidão como baluarte social e econômico, a segregação como direito legítimo…
    3. Os Partidos Políticos, suas origens e o desenvolvimento do ideário e as causas e conseqüências das opões adotadas.
    4. As atitudes políticas e as suas narrativas
  2. Justiça
    1. O Sistema Judiciário a partir da Declaração dos Direitos e da Constituição e as conseqüências das Emendas (de cada uma) Constitucionais, na Constituição Federal e na dos Estados.
    2. Os Julgamentos e as decisões das cortes Estaduais e Federal e as ambigüidades entre as leis – complementares, contraditórias, inexeqüíveis.
    3. A importância da justiça e dos julgamentos na formação e comportamento do povo
    4. O choque entre os poderes e o crescimento do poder legislativo
  3. Economia
    1. O desenvolvimento econômico e os modelos adotados pelos Estados
    2. A importância das Teorias e Doutrinas nas decisões políticas, jurídicas, principalmente nos último século e meio.
  4. Sociedade

Liberdade

E aqui residem as grandes contradições de uma sociedade que se formou em nome da liberdade e tendo esta como valor maior. Porém, não único, pois a escravidão (já proibida, mas a duras penas), o segregacionismo, o racismo (não só contra negros, mas contra índios, orientais, e qualquer outro que não seja branco) permanecem arraigado, se contrapõe a idéia da liberdade, em termos jurídicos nem sempre.

Religião

O tradicionalismo, o fervor, o radicalismo, a influência da religião e dos religiosos na política e nos tribunais, as contradições das interpretações

Tradicionalismo

O peso do passado nas justificativas das atitudes do presente de cada época

Racismo

Chega a ser até difícil entender e aceitar as evidências do racismo arraigado de tal forma na sociedade, e os males que causa; a argumentação para sua permanência podem até surpreender. Escravidão X Separação X Perseguição X Linchamentos… justificativas . Racismo como essência.

Imprensa

A comunicação das idéias e a força da imprensa, com suas virtudes, para a construção da nação e das instituições e sua evolução nem tão heróica – as tendenciosidade, as fake news de séculos atrás e as atuais. A substituição da imprensa pelas “redes” atuais. (forma nova de fenômeno antigo).

 

Ideia de Liberdade.

E nome da Liberdade são constituídos os valores da sociedade americana e gerados os comportamentos sociais e pessoais. Liberdade, porém, é a justificativa para os mais diversos comportamentos, pensamentos decisões, e ações, mesmo que sejam para reduzir ou eliminar a liberdade. Mas a liberdade do outro.

Não concluo, porque não há conclusão.

A História dos Estados Unidos começou como uma experiência, lá no tempo dos reis e dos reinos. Não existia o conceito de nacionalidade e sequer Estado Nacional.  Aí eles inventaram de criar uma nação de baixo para cima, a partir de pessoas que queriam ser livres. Sabiam que era uma experiência – uma experiência porque nada parecido havia sido feito. E iriam resolvendo os problemas à medida que eles apareceriam.

A experiência continua e se chama: Estados Unidos da América.

 

 (*) – Fontes: scholar.harvard.edu/; Wikipedia


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