Literatura

O velho e o mar, de Hemingway

(Para o Clube de Leitura do Sirio)

Sensações
Quando o li pela primeira vez eu era um pouco mais velho que o Manolin.
Relendo-o agora, eu sou mais velho do que o Santiago.
Meio século se passou. O livro é fisicamente o mesmo. Mas agora talvez compreenda melhor o Santiago.
Se o livro, na forma, é um monólogo, toda a estória, porém, é um diálogo.
O diálogo entre as contradições. Contradições da própria vida.
A pequenez do barco e a imensidão do mar. A banalidade da descrição dos gestos e a grandiosidade dos seus significados. A ânsia do predador de matar e, ao mesmo tempo, a sua admiração pela caça. A materialidade da dor física e a sublimação dos sentimentos. A resignação à situação e a determinação dos atos.
Mas essas contradições, ainda que contradições pareçam fazer parte de uma mesma natureza.
Cada contrário não está fora do oposto, mas dentro, junto com o outro.
Hoje já não vi mais no livro a historia de uma pescaria.
Mas a historia da própria vida.
O velho sou eu. O arpão, as linhas, os meus recursos. O barco e o mar o meu caminho. O peixe os meus objetivos. Mas pescá-lo eu vi que não é o objetivo.
É apenas o meio para se manter vivo.

O Autor – Hemingway
Do pouco que sei do autor, teve uma vida atribulada – mas por vontade própria.
Parece que amava a aventura, a ação, o perigo: alistou-se para combater na primeira guerra (frustrou-se, foi recusado), mas mesmo assim atuou na Europa durante a guerra (na Itália?). Parece que lá deixou sua marca num coquetel (acho que é com pêssegos frescos batidos com um vinho branco) assim como deixou outra em Havana – um daikiri.
Quem deixa dois drinks com seu nome e em dois continentes deve ser uma boa companhia. Para beber, ao menos.
Parece que gostava do mar e pescaria de grandes peixes (como na estória do livro). Repórter, ele cobriu a guerra civil espanhola (sangrenta). E se apaixonou pela cultura espanhola, principalmente touradas (a luta, a disputa, o sacrifício do animal, o sangue… parece que exercem certo fascínio). Inconstante, viveu na Europa, nos Estados Unidos e em Cuba.
Teve Iate (vida boa!) – mas dizem que serviu como informante ao Governo Americano – FBI? Cia?
Paixão e inconstância parecem que eram suas marcas. Por exemplo, paixão por inúmeras mulheres. Constantemente trocadas.
Passou a viver em Cuba – o grande playground dos ricos americanos.
Mas parece que a idade diminuiu seu sucesso como escritor. E aumentou o seu desajustamento psicológico.
Deve ter aproveitado a Cuba da época, que devia ser uma festa para os prazeres materiais, com festas, mulheres, cassinos, mulheres, bebidas, mulheres, toda a sorte de prazeres. Mas parece que aumentavam a sua depressão. Mas aí veio a revolução. E ele se matou. Certamente não por causa.


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