Literatura

Síntese de história da publicística – Francisco Rüdiger

Este livro chamou-me a atenção na biblioteca da ESPM.

Como ex-publicitário, pesquisador de marketing e comunicação, ex professore da Faculdade de Comunicação da Unip, e ainda por cima curioso da historio do Reich, antevi um prato cheio de informação. “Estágios reflexivos da ciência da comunicação pública alemã”, seu subtítulo da capa, atraiu-me ainda mais.

Trata-se de uma obra eminentemente acadêmica e, por conseguinte, na linguagem e estilos narrativos próprios que, para nós leigos, torna o entendimento um tanto difícil.

São expostas as principais propostas dos trabalhos dos diversos autores – todos os professores das universidades alemãs – publicados desde a primeira da década do século passado (XX), a respeito do estudo acadêmico dos processos da hoje entendida Comunicação Social.

Traça a gênesis desses pensamentos acadêmicos, que tratam da, como então denominada, “jornalística” e da “publicística”, cada uma com seus definidores e defensores das suas teses, bem como, dialeticamente, das contraposições entre ambas correntes interpretativas. E isso o autor faz, expondo detalhadamente o pensamento dos seus autores através das décadas do século, e conseqüentemente das suas circunstâncias sociais e políticas.

São apresentadas as idéias dos principais autores de cada escola de pensamento, com as acadêmicas transcrições de trechos de suas obras e que se justificam na analisa que o autor faz da evolução dos estudos dessas ciências ou matérias da comunicação.  Alguns claros, outros herméticos, uns lineares outros gongóricos, todos apresentam as suas definições, e defesas de suas interpretações e sobre as formar, os sistemas e as práticas da comunicação, sob os diversos aspectos teóricos que as embasam. Sempre se aprende, mesmo que seja a descoberta de uma “publicística teorética”  ou ainda os “elementos conteudísticos” da comunicação, o que fez eu me sentir, lembrando das minhas aulas na Propaganda na Comunicações da UNIP, um tanto ónagro.

Infelizmente, o que buscava eu não encontrei (evidente, não era o propósito do autor): a análise do fenômeno da comunicação da construção do nacional-socialismo.  O autor analisa as diversas teorias formuladas, todas envolvendo os meios de comunicação, os comunicadores, os receptores, o público, a opinião pública, os detentores do poder, as ideologias, as circunstâncias culturais, sociais, e etc.

Para mim, modestamente, penso que um dos maiores efeitos da influencia da comunicação social ocorreu na construção do Nacional Socialismo e na formação da opinião publica alemã, daquela época. Mas este fato passa batido na obra, apesar do aspecto político influenciador da comunicação abordada pelos autores estudados.

Quando escrevo isso, há dois dias os jornais dedicam páginas e páginas, as emissoras de rádio dedicam horas de comentários nos seus noticiários e outros programas, emissoras de TV têm seus noticiários igualmente dominados e chegam até a dedicar programas jornalísticos de 120 minutos, inteiros, só para falar, analisar, comentar, apreciar, examinar, julgar, criticar, desvalorizar, imprecar e etc. contra o agora ex-secretário da cultura porque usou parte de uma frase de Goebels num pronunciamento!

O livro analisa a produção acadêmica alemã até o início dos anos 80. Por isso mesmo, não trata das formas de comunicação surgidas a partir da Word Wide Web (idealizada por Tim Berners (1990) e tornada livre para todos, e sem custo, em 1993).

Os autores analisados tratam do comunicador, do seu público, do conteúdo, dos interesses. da situação social – cultural – política, enfim tudo que pode envolver a comunicação.

“O que eles escreveriam hoje em que um comunicador desconhecido tem milhões de “seguidores”; em que comunicadores se tornam “influenciadores”; em que “influenciadores” independem de ter conteúdo”; em que conteúdo pode ser tanto “como curar uma doença incurável” ou “como balançar os glúteos no punk”; em que há mais comunicadores do que público?

E o que esses estudiosos da comunicação teorizariam nestes tempos em que jornalista não busca mais fato de interesse público para torná-lo público, mas usar um fato público para público sua opinião privada? Como considerariam o comentarista “especializado em tudo” – pois o mesmo “analista” de medicina ao futebol, de economia à religião?  Tarefa ingrata.

Ao fim, o autor cita como bibliografia nada menos do que 337 referências (obras), de apenas 42 autores.


CONTATOS

WhatsApp: (011) 99908-1700
Email: contato@appioribeiro.com.br

Entre em Contato para compras, sugestões ou pedidos.

Redes Sociais

©Copyright  |  Appio Ribeiro 2019. Todos os direitos reservados